O ministro Vieira não hesitou em desqualificar as alegações de Rubio, que acusou o Brasil de não negociar de boa-fé. Assinalando a relevância das relações entre os dois países, Vieira condenou a retórica do secretário americano, afirmando que tal postura é inadequada, especialmente considerando que Lula sempre demonstrou disposição para estreitar os laços diplomáticos e comerciais com os Estados Unidos.
A tensão aumentou ainda mais com a confirmação por parte do governo Trump de uma tariffa de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 22 de julho. Para Vieira, não existe justificativa para essa atitude, que foi classificada pelo governo brasileiro como “unilateral”, “ilegal” e “arbitrária”. Uma nota oficial afirmou que o dia 15 de julho será lembrado como um “marco lastimável” nas relações bilaterais, e que o Brasil tomará medidas imediatas para acionar o mecanismo legal de reciprocidade.
O governo brasileiro, em resposta à pressão externa, promete diversificar seus mercados, buscando implementar acordos já firmados, como os com a União Europeia e parceiros como o Japão e a Índia. Medidas de apoio às empresas afetadas também estão em pauta, além da aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, que permitiria ações contrárias a barreiras comerciais consideradas injustificadas.
Além das críticas diretas à política comercial americana, o governo brasileiro refutou, ponto a ponto, as justificativas que embasaram a investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA. Em destaque na comunicação oficial está a defesa do sistema de pagamentos brasileiro, o Pix, e a refutação de alegações sobre desmatamento, que foram consideradas “absurdas”. Com números que revelam um superávit significativo da balança comercial americana em relação ao Brasil, a administração brasileira busca desmantelar a narrativa de práticas comerciais desleais, enquanto enfrenta os desdobramentos da política interna, especialmente as acusações de que a família Bolsonaro teria colaborado com as investigações que culminaram nesta situação diplomática tensa.
