Em uma entrevista, Pontes compartilha a intensidade e a singularidade dessa experiência. Durante o momento crucial da decolagem, ele se lembrou de apontar para a bandeira do Brasil em seu uniforme, simbolizando que o país o acompanhava em sua jornada. A ascensão do foguete, que atinge velocidades de até 25 mil quilômetros por hora, é descrita como uma experiência brutal, caracterizada por vibrações intensas que podem até danificar os dentes.
“A sensação é algo que dura apenas um minuto e meio, mas é extremamente intensa. Você deve manter a boca fechada para evitar qualquer problema com a vibração,” explica Pontes. O astronauta conta que, ao chegar ao espaço, se deparou com a flutuação de seus objetos pessoais, uma experiência que ele sonhou durante muito tempo.
Ao soltar os cintos de segurança e olhar pela janela, ele teve seu primeiro vislumbre da Terra a partir do espaço, um “planeta azul maravilhoso”, um momento que ele descreve como inesquecível e profundamente emocional. Ele recorda da influência de sua mãe, Dona Zuleika, que sempre o incentivou a sonhar alto e a buscar uma educação sólida. “Você pode ser tudo o que quiser, desde que estude, trabalhe e persista,” ela dizia.
Durante a missão, Pontes liderou oito experimentos científicos encomendados pelo Brasil, incluindo um estudo sobre a produção de alimentos no espaço utilizando sementes de feijão. Esses esforços não só foram bem recebidos, mas hoje são considerados cruciais para futuras explorações lunares e marcianas, onde a sobrevivência dependerá da capacidade de cultivar alimentos localmente.
Além de sua carreira como astronauta, Pontes é um defensor ardente da educação profissionalizante no Brasil. Ele fundou a Fundação Astronauta Marcos Pontes em 2010 e atualmente preside a Frente Parlamentar em Favor da Educação Profissional e Tecnológica no Senado. Pontes compartilha que seu próprio sucesso se deve a uma oportunidade de formação recebida aos 14 anos, que o afastou da criminalidade e lhe deu um caminho promissor.
Ele ressalta a necessidade urgentíssima de aumentar a taxa de alunos em programas de educação profissionalizante no Brasil, que atualmente está entre 12% e 13%, em contraste com países como Alemanha e Japão, que alcançam 50%. Ele acredita que uma transformação neste segmento educacional pode impactar significativamente na redução da criminalidade e da pobreza no país. “Se investirmos efetivamente na educação, podemos reverter muitos dos problemas sociais que enfrentamos,” finaliza.





