Marcha para Jesus em SP: políticos se destacam e fiéis dividem opiniões sobre presença de pré-candidatos enquanto evento mobiliza multidão em tom religioso.

A 34ª edição da Marcha para Jesus ocupou as ruas de São Paulo nesta quinta-feira (4), sob o lema “Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor”. O evento, tradicional na capital paulista, ganhou contornos políticos com a participação de diversas figuras públicas, incluindo o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entre outros representantes do governo.

Flávio Bolsonaro, ao chegar, enfatizou que sua presença tinha caráter espiritual, desejando orar pelo povo brasileiro e afirmando que não estava ali como candidato. No entanto, seu discurso rapidamente se direcionou para a esfera eleitoral, convocando os presentes a uma oração por mudanças no governo. “Vamos orar pelo nosso Brasil”, afirmou, sugerindo que a “luta é espiritual” e que o evento representa uma resposta a forças consideradas malignas.

Tarcísio de Freitas também atraiu atenção ao exaltar a transformação pessoal por meio da fé, declarando que “São Paulo é do Senhor Jesus” e prometendo “coisas sobrenaturais”. O organizador do evento, apóstolo Estevam Hernandes, se referiu a ambos como “governador e prefeito da marcha”, ressaltando sua posição como “servos de Deus”.

Jorge Messias, advogado-geral da União e também presente, adotou um tom mais conciliador, defendendo diálogo, perdão e reconciliação. Ele destacou que a Marcha para Jesus não é um comício, mas um espaço de expressão da fé, enfatizando a inclusão e a unidade entre diferentes grupos.

A presença conjunta de Tarcísio e Flávio no mesmo trio elétrico gerou especulações, especialmente após a recente tensão política exacerbada pela divulgação de um áudio em que Flávio solicitava recursos a um banqueiro.

Entre os participantes, opiniões divergem. Vinicius Queiroz, um novo convertido, opinou que política e religião não devem se misturar. Deise Karine, que veio do Rio de Janeiro, alertou sobre os perigos da instrumentalização política, enquanto Débora Alves Ferreira enxergou valor na representação de candidatos evangélicos na política, considerando isso uma forma de unir a comunidade de fé.

O evento atraiu um público expressivo de cerca de 33,8 mil pessoas, segundo dados do Monitor do Debate Político da USP/CEBRAP, reafirmando a relevância da Marcha para Jesus como um espaço não só religioso, mas também de engajamento político nas vésperas das eleições de 2026.

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