O evento, que ganhou destaque nos últimos anos, foi organizado pelo ativista Jonathan Pires, que se autodenomina sacerdote e é conhecido por seu trabalho em redes sociais voltadas à divulgação das religiões de matriz africana. Os participantes da marcha buscam desconstruir a histórica associação negativa entre Exu e figuras demoníacas tão comumente perpetuadas no contexto cristão. Especialistas apontam que essa interpretação distorce o verdadeiro papel do orixá, reconhecido em suas tradições como mensageiro entre os divinos e humanos e guardião dos caminhos.
Os números da participação na marcha têm impressionado. Em 2023, a Polícia Militar estimou que cerca de 60 mil pessoas estavam presentes, e em 2024 esse número saltou para mais de 150 mil. Esse crescimento na adesão reflete uma maior aceitação social e uma disposição crescente das pessoas em manifestarem abertamente sua fé, especialmente após um longo período em que muitos adeptos se sentiam obrigados a se identificar como católicos ou espíritas para evitar preconceitos.
De acordo com o Censo Demográfico 2022 do IBGE, a população que se declara praticante de religiões como umbanda e candomblé triplicou em relação a 2010, passando de 0,3% para 1,05%. Isso significa que aproximadamente 1,8 milhão de brasileiros agora se identificam abertamente com essas religiões. Essa mudança é particularmente visível em estados como o Rio Grande do Sul, onde 3,19% da população se declara praticante, seguido por Rio de Janeiro (2,58%) e São Paulo (1,47%).
O aumento no número de adeptos também é acompanhado por melhorias nos índices de educação entre os praticantes; eles apresentam uma taxa de analfabetismo mais baixa e uma maior proporção de pessoas com Ensino Superior completo. Essa realidade mostra que a diversidade religiosa no Brasil está se fortalecendo, refletindo um panorama mais inclusivo e respeitoso em relação às tradições afro-brasileiras.
