Marcha para Exu toma Avenida Paulista e reúne milhares em defesa das religiões afro-brasileiras e contra o racismo religioso

Neste último domingo, dia 16 de agosto, a Avenida Paulista em São Paulo foi tomada por milhares de pessoas durante a quarta edição da Marcha para Exu, um evento que reuniu fiéis de candomblé e umbanda em uma manifestação em defesa do orixá Exu e contra as expressões de racismo religioso que persistem no Brasil. Os participantes se vestiram predominantemente com cores associadas à entidade, como preto e vermelho, e marcharam ao som dos atabaques, entoando o lema “Nunca foi sorte, sempre foi macumba”. Essa frase carrega não apenas uma crítica à estigmatização do candomblé e da umbanda, mas também celebra a força e a ancestralidade das religiões afro-brasileiras.

O evento, que ganhou destaque nos últimos anos, foi organizado pelo ativista Jonathan Pires, que se autodenomina sacerdote e é conhecido por seu trabalho em redes sociais voltadas à divulgação das religiões de matriz africana. Os participantes da marcha buscam desconstruir a histórica associação negativa entre Exu e figuras demoníacas tão comumente perpetuadas no contexto cristão. Especialistas apontam que essa interpretação distorce o verdadeiro papel do orixá, reconhecido em suas tradições como mensageiro entre os divinos e humanos e guardião dos caminhos.

Os números da participação na marcha têm impressionado. Em 2023, a Polícia Militar estimou que cerca de 60 mil pessoas estavam presentes, e em 2024 esse número saltou para mais de 150 mil. Esse crescimento na adesão reflete uma maior aceitação social e uma disposição crescente das pessoas em manifestarem abertamente sua fé, especialmente após um longo período em que muitos adeptos se sentiam obrigados a se identificar como católicos ou espíritas para evitar preconceitos.

De acordo com o Censo Demográfico 2022 do IBGE, a população que se declara praticante de religiões como umbanda e candomblé triplicou em relação a 2010, passando de 0,3% para 1,05%. Isso significa que aproximadamente 1,8 milhão de brasileiros agora se identificam abertamente com essas religiões. Essa mudança é particularmente visível em estados como o Rio Grande do Sul, onde 3,19% da população se declara praticante, seguido por Rio de Janeiro (2,58%) e São Paulo (1,47%).

O aumento no número de adeptos também é acompanhado por melhorias nos índices de educação entre os praticantes; eles apresentam uma taxa de analfabetismo mais baixa e uma maior proporção de pessoas com Ensino Superior completo. Essa realidade mostra que a diversidade religiosa no Brasil está se fortalecendo, refletindo um panorama mais inclusivo e respeitoso em relação às tradições afro-brasileiras.

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