O protesto foi impulsionado por uma onda de indignação global, especialmente após o trágico ataque ao Hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul de Gaza, em 25 de agosto de 2025. Esse incidente resultou na morte de 22 pessoas, incluindo trabalhadores da saúde e civis, além de cinco jornalistas, cujos nomes foram oficialmente identificados: Hussam al-Masri da Reuters, Mariam Abu Dagga da Associated Press, Mohammed Salama da Al Jazeera, Moaz Abu Taha e Ahmad Abu Aziz.
A repercussão do evento trouxe à tona não apenas números, mas histórias pessoais e trágicas desses profissionais. Mariam Abu Dagga, por exemplo, tinha 33 anos e era freelancer para a Associated Press. Ela deixou um filho de apenas 13 anos, que atualmente reside nos Emirados Árabes Unidos, ressaltando o impacto humano por trás das estatísticas.
Os dados são preocupantes. Segundo documentos do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), 2024 foi o ano mais letal para a profissão em recente memória, com 124 jornalistas mortos em 18 países, sendo que 70% dessas fatalidades ocorreram na Faixa de Gaza. Dos casos reportados, 85 jornalistas foram assassinados por forças israelenses, uma marca que acende discussões sobre a segurança dos repórteres em zonas de conflito.
Entidades internacionais também têm tentado contabilizar essas perdas. A Organização das Nações Unidas (ONU) alega que, até agosto de 2025, 242 jornalistas palestinos foram mortos, enquanto o CPJ registra 192, dos quais cerca de 184 foram vítimas de ações israelenses. A Federação Internacional de Jornalistas apresenta um número de aproximadamente 180 jornalistas palestinos mortos.
Com esses números alarmantes e as histórias trágicas que os cercam, o protesto em São Paulo se tornou mais do que uma manifestação; é um apelo à consciência internacional sobre a proteção da liberdade de imprensa e a necessidade de justiça para aqueles que pagaram o preço mais alto pela busca pela verdade.