Manicure é assassinada após discussão com comerciante, suspeito do crime, em caso que envolve gravidez e possíveis questões de ocultação de cadáver

Um dia antes de ser brutalmente assassinada, a manicure Thaysa Campos dos Santos, de apenas 23 anos, teve uma acalorada discussão com Washington Franklin Souza da Silva, mais conhecido como Bolinho. O comerciante, casado, teria tido um relacionamento extraconjugal com a vítima, que estava grávida dele. A gota d’água para o desentendimento entre os dois, segundo testemunhas, teria sido a descoberta de Bolinho com outra mulher. Essa situação explosiva se tornou um dos pilares da denúncia formal feita pelo promotor Fábio Vieira no II Tribunal do Júri, onde o comerciante enfrenta acusações graves, incluindo feminicídio, aborto e ocultação de cadáver.

A última vez que Thaysa foi vista viva aconteceu na noite de 4 de setembro de 2020, quando retornava da casa de uma amiga, carregando uma bolsa de gestante. Câmeras de segurança da região capturaram imagens da jovem sendo conduzida por um homem em direção a uma área próxima a uma linha férrea. O corpo da manicure foi descoberto apenas seis dias depois, em uma situação que despertou a atenção das autoridades.

Uma perícia realizada pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia do Ministério Público do Rio de Janeiro comparou imagens do suspeito durante um depoimento com as filmagens do sequestro, resultando em uma conclusão alarmante: Bolinho é o homem que aparece nas duas gravações. A mãe de Thaysa, Jaqueline Campos, não hesita em afirmar que a morte de sua filha está intrinsecamente ligada à gestação e ao envolvimento com o suspeito.

Jaqueline recorda com dor que sua filha estava preparando tudo para a chegada da criança, que estava prevista para outubro de 2020. Roupas, enxoval e até toalhinhas bordadas com o nome da bebê, Ysabella, estavam prontos, e o desespero da mãe é palpável ao expressar a necessidade de saber o que realmente aconteceu. Além disso, a possibilidade de a criança ter sido retirada do ventre da mãe complica ainda mais a investigação, segundo o promotor Vieira.

O advogado Zoser Hardman, atuando como assistente de acusação, sugere que outras pessoas podem estar envolvidas no crime, apontando que o laudo pericial indica que o assassinato ocorreu em um local distinto de onde o corpo foi encontrado, o que dificulta a hipótese de que Bolinho tenha agido sozinho.

Bolinho, por sua vez, nega qualquer envolvimento no crime e argumenta que estava em companhia de vizinhos no momento do desaparecimento de Thaysa. A defesa contestou a validade da prova técnica utilizada, alegando que a acusação se baseia em uma análise inadequada. Enquanto isso, o comerciante responde ao processo em liberdade, levantando questões sobre a segurança da investigação e a proteção das vítimas em casos similares. A sociedade aguarda ansiosamente por respostas e justiça em um caso que expõe as violências enfrentadas por mulheres em situações de vulnerabilidade.

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