Mais de 50 empresas prontas para IPO, mas eleições devem postergar lançamentos na B3 até 2027, segundo executiva da bolsa brasileira.

Cenário de IPOs no Brasil: Mais de 50 Empresas Preparadas, Mas Atrasos à Vista

Nos bastidores do mercado financeiro brasileiro, mais de 50 empresas estão prontas para sua abertura de capital, registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Contudo, a expectativa é de que seus planos sejam adiados para 2024, em razão do calendário eleitoral deste ano. Flávia Mouta, diretora de Listagem e Relacionamento da B3, destacou a situação durante o evento “Fitch on Fintechs Brazil”, em São Paulo.

Estas companhias já cumpriram todas as exigências regulatórias e aguardam um momento propício para suas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs). Entretanto, Flávia observa que, em anos eleitorais, o mercado muitas vezes entra em um compasso de espera. A tradição mostra que as grandes movimentações no setor de equity costumam ser raras durante esse período eleitoral. Flávia sugere que há uma expectativa de que, após a definição do cenário eleitoral, uma janela para novas ofertas se abra no quarto trimestre deste ano, prevendo que o ano seguinte seja “a aposta mais segura” para quem não deseja esperar.

Entre os eventos que geraram otimismo no setor, destaca-se a listagem da Compass, uma empresa do grupo Cosan, que recentemente realizou o primeiro IPO do Brasil após quase cinco anos de inatividade. A operação captou R$ 3,2 bilhões, atraindo especialmente investidores estrangeiros, um sinal positivo para o reencontro do mercado. Contudo, essa manobra foi incomum, já que se tratou de uma venda 100% secundária, onde apenas acionistas existentes aproveitaram para liquidar suas posições, algo que usualmente não é bem visto.

O panorama econômico, entretanto, apresenta desafios. O fluxo de capital estrangeiro, que inicialmente havia se intensificado no Brasil no primeiro trimestre, reverteu-se em abril. Os investidores começaram a retornar aos Estados Unidos, motivados por questões geopolíticas e pela perspectiva de juros elevados. A taxa Selic, atualmente em 14,5%, também contribui para que investidores locais optem pela renda fixa em vez de ações, refletindo um ano em que as emissões de dívida corporativa superaram significativamente as de ações.

Flávia rebateu a ideia de que empresariais brasileiros estariam se transferindo para o exterior, provando que muitas das que buscaram listagens em mercados internacionais foram consideradas “ações órfãs” por não conseguirem a liquidez esperada. Para empresas menores, o novo “Regime Fácil”, criado pela CVM, promete tornar o acesso ao mercado de capitais mais viável e já registrou suas primeiras operações.

Esse novo regime não só facilita o acesso das empresas menores ao mercado, mas também simplifica processos burocráticos. Com uma expectativa de captações em torno de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões, Flávia acredita que os setores de infraestrutura, tecnologia, imobiliário e agronegócio estarão na vanguarda desse movimento. Além disso, a B3 está explorando diversas regiões do país, apontando para um futuro mais inclusivo e diversificado no mercado de capitais do Brasil, que poderá abrandar o tradicional domínio das grandes empresas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo