Maioria dos Brasileiros Prefere Bancos Tradicionais, Mas Neobancos Surge com Oportunidade de Crédito Atraente

Mudança de Paradigma: Neobancos e Crédito no Brasil

Uma recente pesquisa revela que, apesar da crescente popularidade dos bancos digitais, a maioria dos brasileiros ainda prefere manter seus bancos tradicionais. Segundo os dados levantados, 71,5% dos entrevistados afirmam que não trocariam suas instituições financeiras convencionais por um banco digital. No entanto, quase 50% dos consumidores que considerariam essa troca apontam o acesso a um maior volume de crédito como a principal motivação para essa mudança.

O estudo, intitulado “Neobanks: a nova fonte de crédito 2026″, traz à tona uma realidade paradoxal: enquanto a confiança nas instituições financeiras tradicionais permanece alta — 66,9% dos participantes acreditam que esses bancos estão mais preparados para enfrentar crises econômicas —, a demanda por serviços financeiros mais flexíveis está em ascensão entre os consumidores.

Silvio Santana, vice-presidente comercial da Equifax, destaca que o vínculo emocional que os brasileiros têm com seus bancos tradicionais é significativo, resultante de décadas de relacionamento que inclui marcos importantes da vida financeira, como a aquisição do primeiro imóvel ou a aposentadoria. Essa lealdade, no entanto, é desafiada pela necessidade de condições mais favoráveis de crédito, que os neobancos frequentemente oferecem.

De acordo com Marcos Coque, diretor de analytics da Equifax, a segurança percebida em relação aos bancos tradicionais é mais forte quando se trata de investimentos e produtos de longo prazo. Na hora de tomar crédito, muitos consumidores ficam abertos a buscar melhores condições, refletindo uma atitude mais flexível e dinâmica em relação às finanças.

Os neobancos estão conquistando uma fatia importante do mercado, especialmente entre os consumidores mais jovens. Em 2025, 41,4% dos cartões emitidos por esses bancos foram o primeiro cartão de crédito de muitos cidadãos, em comparação a apenas 4,9% nos bancos tradicionais. Essa tendência demonstra não apenas um crescimento no uso de cartões digitais, mas também um potencial impacto nas práticas financeiras dos brasileiros.

Surpreendentemente, o perfil dos usuários de bancos digitais está mudando. A classe etária entre 36 e 50 anos agora representa a maior parte dos consumidores de cartão de crédito digital, refletindo uma adoção mais ampla da tecnologia, mesmo entre faixas etárias superiores.

Economistas como Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa apontam que o aumento da concorrência não apenas melhora as condições de crédito, mas também altera significativamente as expectativas dos consumidores. Eles agora demandam um nível mais elevado de serviços e estão mais propensos a comparar preços e ofertas.

Ana Paula Fontana, do Equifax BoaVista, prevê que a próxima etapa para os bancos digitais será estabelecer-se como a principal instituição financeira para os usuários, em vez de serem vistos como uma alternativa. Isso exigirá uma vasta gama de produtos e um foco na acessibilidade e na experiência do usuário.

Na era da digitalização financeira, os neobancos, embora ainda em uma fase de crescimento, estão mudando a dinâmica de como os brasileiros lidam com suas finanças. À medida que se tornam protagonistas na inclusão financeira, será crucial que eles continuem a inovar e a adaptar suas ofertas às necessidades de um público cada vez mais exigente e diversificado.

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