Mães Atípicas em Noronha Encontram Esperança com Tratamento de Canabidiol para Filhos com TEA e TDAH, Revolucionando o Cuidado e a Saúde Mental

Na paradisíaca ilha de Fernando de Noronha, a professora Rayane Dixie dos Santos, de 31 anos, enfrenta desafios diários que vão muito além do que se poderia imaginar. Mãe solo de um menino com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de suporte 2 e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ela tem o fardo de lidar com crises intensas de agitação e agressividade. Além disso, o cotidiano a obriga a dividir sua atenção entre o cuidado de seu filho e as responsabilidades de seu trabalho, o que tem levado a uma sobrecarga emocional.

Rayane, que se sente sozinha nesta jornada, relatou que essa rotina desgastante a fez adoecer, resultando em um quadro de ansiedade generalizada e insônia. “A sensação de ser a única responsável por ele é avassaladora”, confessa. No entanto, uma luz surgiu no horizonte quando seu filho começou um tratamento à base de canabidiol (CBD) há três meses. O efeito positivo foi imediato, trazendo uma redução significativa nas crises e melhorando seu comportamento.

Esse tratamento foi viabilizado pelo Projeto Noronha, uma iniciativa liderada pela Associação Brasileira de Estudos dos Canabinoides (Abecmed), em colaboração com a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e a Administração Distrital da ilha. Este projeto promoveu mutirões de saúde, oferecendo a famílias locais o acesso gratuito a consultas médicas e a distribuição de óleos de canabidiol. No total, 126 consultas foram realizadas e 221 frascos de óleo foram doados.

Além de oferecer tratamento, o projeto está em vias de criar uma sede destinada a apoiar integralmente as famílias neuroatípicas do arquipélago. A ideia é construir uma rede de suporte que retorne à comunidade a cada três meses, permitindo um acompanhamento contínuo. “Em Noronha, estamos criando uma estrutura que perdura, diferente do que é visto em outras regiões”, afirma Alexandre Assis, diretor da Abecmed.

A atenção às necessidades das mães, particularmente, é um aspecto central do projeto. Muitas dessas mulheres carregam sozinhas o peso do cuidado integral de seus filhos e, como Ladislau Porto, um dos idealizadores, enfatiza: “Quando a criança está em crise, ela tem a mãe. Mas, quando a mãe entra em crise, muitas vezes não tem ninguém ao seu lado”.

Rebeca Allen, presidenta da associação de mães do arquipélago e mãe de um menino de sete anos com TDAH, também é um testemunho da sobrecarga emocional que muitas mães enfrentam. A busca por ajuda médica para seu filho acabou por revelar sua própria luta contra a depressão e a ansiedade. Desde que iniciou o tratamento com canabidiol, Rebeca notou melhorias não apenas em sua saúde mental, mas também na colaboração e comportamento de seu filho.

Com o crescimento das iniciativas de tratamento com canabidiol, o Projeto Noronha não só atende a uma demanda imediata, mas aborda uma questão estrutural da saúde pública da ilha, que enfrenta dificuldades em acesso a cuidados médicos adequados. A distância de 545 quilômetros até o continente para serviços especializados torna as viagens para atendimento um esforço ainda maior para os residentes.

Além disso, a população de Noronha vive um paradoxo: a beleza natural do lugar contrasta com altos índices de problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, exacerbados pelo isolamento geográfico. Dados recentes mostram que a maioria dos atendimentos realizados durante os mutirões foi motivada por questões de saúde mental.

Com o aumento do interesse no uso medicinal da cannabis, o Projeto Noronha está focando não apenas na cura, mas na construção de uma rede de suporte integral que possa transformar a vida das famílias que enfrentam desafios semelhantes. A esperança é que, por meio das pesquisas e cuidados oferecidos, um novo horizonte se abra para essas comunidades, garantindo um futuro mais saudável e acolhedor.

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