Analistas políticos em Caracas indicam que a metáfora do galo valente surgiu após pesquisas qualitativas apontarem que parte do eleitorado chavista via Maduro como um líder “fraco”. Para um governante chavista, ser percebido assim é inconcebível, considerando que o movimento prega a resistência contra o imperialismo e a defesa fervorosa da pátria socialista.
Em sua terceira campanha presidencial, Maduro incorporou termos como futuro, evolução e transformação à sua retórica. No entanto, mantém firmes os lemas herdados de Chávez, destacando a defesa do socialismo contra o capitalismo e a preservação da soberania nacional frente às ameaças imperialistas. A propaganda chavista está repleta de camisetas com frases que evocam tanto a memória de Chávez quanto slogans alinhados aos tempos atuais, como “Com Nico há futuro” e “Nico vai pra frente”.
Apesar das baixas taxas de popularidade, que algumas pesquisas fixam abaixo de 15%, muitos eleitores chavistas veem Maduro como a única opção. Isso pode ser explicado pela lealdade a Chávez e pelo receio da oposição. Para a ambulante Yubisay Rodríguez, de 25 anos, a melhora prometida por Maduro é motivo suficiente para manter a fé no presidente. Suas memórias são nutridas por histórias de seus avós sobre as conquistas sociais trazidas pela revolução bolivariana.
Nicolás Maduro, contudo, enfrenta um cenário econômico desafiador. A Venezuela está atolada em uma dívida de 150 bilhões de dólares e sujeita a quase mil sanções impostas por nações como os Estados Unidos e blocos como a União Europeia. Esses obstáculos são frequentemente utilizados pelo governo para sustentar uma narrativa de resistência diante de uma campanha internacional de boicote.
Para muitos chavistas, as sanções são a principal razão para a crise econômica. “Os dirigentes opositores são responsáveis por essas sanções. Por eles estamos como estamos”, argumenta Carlos Padrón, um enfermeiro que trabalha em condições precárias. A percepção da conexão emocional entre o chavismo e seu eleitorado é sublinhada por analistas políticos, que reconhecem a existência de uma base sólida de apoio que tende a se consolidar ainda mais em tempos de eleição.
Nessas eleições, a oposição representa uma ameaça tanto simbólica quanto prática para os chavistas. A vitória da oposição é vista como o fim da chamada Quinta República e o início de um novo ciclo de exclusão social, semelhante ao sofrido durante a Quarta República. Nesse contexto de temor e esperança, Nicolás Maduro se apresenta como o guardião da estabilidade e das conquistas sociais da revolução bolivariana, apelando diretamente aos eleitores para garantir a “paz social no país” e prometendo novas transformações. Enquanto os eleitores ponderam suas opções, a luta pelo futuro da Venezuela continua fervendo nas ruas e urnas do país.





