Maduro não hesitou em expressar sua indignação em um de seus programas semanais, ressaltando que essa decisão é um desrespeito à memória dos heróis que lutaram pela independência do Peru, como Simón Bolívar e Antonio José de Sucre. Ele destacou que a presidente Dina Boluarte, ao permitir a presença militar dos EUA, está traindo os ideais de liberdade pelos quais muitos lutaram. “Cumprindo 200 anos do sacrifício e da vitória de Junín e Ayacucho, essa a presidente Boluarte, de forma indignante, entrega o território peruano para as tropas dos Estados Unidos”, afirmou Maduro, enfatizando que tal medida terá consequências políticas durante as próximas eleições no país.
A autorização do Congresso para a entrada de cerca de 600 militares americanos foi aprovada por uma margem considerável: 63 votos favoráveis frente a 23 contrários, com sete abstenções. A justificativa apresentada para a presença das tropas é de que elas fornecerão apoio administrativo, logístico e de segurança durante a realização das reuniões do APEC, um evento que reuniará líderes de várias economias do Pacífico, refletindo a importância estratégica da região.
Maduro deixou claro que essa decisão não é um caso isolado, mas sim parte de uma tendência mais ampla na América Latina, que, segundo ele, vem permitindo a intervenção de potências estrangeiras em assuntos internos. Ele fez um chamado à unidade e à resistência contra o que classifica como uma ingerência externa, prometendo que os responsáveis por essa “vergonha” não escaparão das consequências nas próximas eleições. As tensões políticas na América Latina continuam a crescer, e a presença militar americana no Peru levanta questões sobre soberania e os verdadeiros interesses por trás das alianças políticas na região.
