José começa sua jornada às 11h, preparando os 20 litros de mungunzá e sopa que vende todos os dias. Às 16h30, ele inicia seu trajeto por locais como Jacintinho, Jatiúca e o Conjunto Santo Eduardo, retornando apenas à noite com o estoque esgotado. Para José, seu trabalho não é apenas um meio de subsistência; é uma forma de manter viva uma tradição familiar.
No bairro Graciliano Ramos, o cheiro de comidas típicas juninas, como canjica e pamonha, se espalha pelas ruas. Da Terra das Tapiocas, um negócio familiar em funcionamento desde 1996, foi originalmente fundado por Dona Lau e hoje é comandado por sua filha Jaqueline. A retirada de R$ 50 do bolso para iniciar o negócio transformou-se em um legado que transcende gerações. Jaqueline destaca que o São João deste ano é especialmente emotivo, já que será o primeiro sem a presença de sua mãe.
Aparecida Sales, por sua vez, reforça a tradição, montando seu carrinho de comidas típicas, composto de sabores do milho, em frente ao Hospital Unimed todos os dias às 16h. Natural de Cupira, em Pernambuco, Aparecida viu nas receitas tradicionais uma forma de se conectar com sua origem e garantir o sustento. Em junho, as encomendas crescem, e o lucro de 20 dias supera o ganho anual.
Clientes como Aline Barbosa reconhecem a importância desses comerciantes para a economia local. Ela destaca a qualidade dos produtos e como eles estabelecem laços profundos com os clientes. A jornalista e blogueira Nide Lins reforça que as comidas juninas não são apenas prazeres gastronômicos, mas também agentes essenciais na preservação das memórias afetivas e da identidade cultural nordestina.
Essas histórias são mais do que simples relatos de empreendedores; elas representam a resiliência e o carinho com que essas tradições são mantidas, garantindo que as festas de junho continuem a ser um símbolo de união, afeto e prosperidade no coração do Nordeste.
