Maceió Celebra 209 Anos com Descoberta de Carta Náutica que Revela Raízes da Capital Alagoana em 1757

Em um marco histórico para a cidade de Maceió, uma descoberta arqueológica recentemente revelada remete aos primórdios da capital alagoana. Pesquisadoras da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) anunciaram a localização de uma carta náutica datada de 1757, que fornece novos insights sobre a configuração urbana inicial e sua crescimento ao longo do tempo. A carta, intitulada “Planta e explicação daz enciadaz de Iaragôa e Pajusara”, foi encontrada no Arquivo Ultramarino em Lisboa, Portugal, e é um preciosidade histórica que redefine a narrativa sobre a fundação de Maceió, que comemorou 209 anos de sua fundação no dia 5 de fevereiro.

De acordo com a pesquisa, a Maceió do século XVIII tinha uma população modesta com apenas três construções, incluindo uma capela, enquanto a vizinha Jaraguá exibia um desenvolvimento ligeiramente mais avançado, com seis casas de telha e uma dezena de edificações de palha, dispostas de maneira dispersa. Embora a data oficial de fundação da cidade seja em 1815, quando se desmembrou da Vila de Alagoas, a nova descoberta acrescenta uma valiosa “segunda certidão de nascimento” à história da cidade.

A importância do documento é ainda mais acentuada pelo seu conteúdo cartográfico ricamente ilustrado. Ele apresenta detalhes essenciais que serviam como diretrizes para os navegantes que buscavam a enseada de Jaraguá e as rotas que levavam à vila de Alagoas, um importante centro administrativo da capitania de Pernambuco na época. O registro dessa configuração urbana inicial é crucial, especialmente considerando a escassez de referências visuais sobre Maceió durante o período colonial.

Em seu artigo, as professoras Maria Verônica da Silva, Cynthia Nunes da Rocha Fortes e Josemary Omena Passos Ferrare expressam a emoção que a descoberta proporciona, uma vez que a ausência de representações visuais da Maceió colonial sempre foi uma lacuna para historiadores. Elas ressaltam que a carta destaca com precisão a evolução da cidade e enfatiza a relevância do porto de Jaraguá como núcleo central do desenvolvimento urbano na região.

A nova luz lançada sobre Maceió por meio dessa carta náutica não apenas enriquece a compreensão de sua história, mas também representa um convite à valorização do patrimônio cultural da cidade, incentivando um olhar mais atento e respeitoso sobre suas origens e seu desenvolvimento ao longo dos séculos. Assim, a cidade se reafirma não apenas como um centro turístico contemporâneo, mas também como um lugar de profundas histórias e significados que cercam suas raízes.

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