De acordo com a pesquisa, a Maceió do século XVIII tinha uma população modesta com apenas três construções, incluindo uma capela, enquanto a vizinha Jaraguá exibia um desenvolvimento ligeiramente mais avançado, com seis casas de telha e uma dezena de edificações de palha, dispostas de maneira dispersa. Embora a data oficial de fundação da cidade seja em 1815, quando se desmembrou da Vila de Alagoas, a nova descoberta acrescenta uma valiosa “segunda certidão de nascimento” à história da cidade.
A importância do documento é ainda mais acentuada pelo seu conteúdo cartográfico ricamente ilustrado. Ele apresenta detalhes essenciais que serviam como diretrizes para os navegantes que buscavam a enseada de Jaraguá e as rotas que levavam à vila de Alagoas, um importante centro administrativo da capitania de Pernambuco na época. O registro dessa configuração urbana inicial é crucial, especialmente considerando a escassez de referências visuais sobre Maceió durante o período colonial.
Em seu artigo, as professoras Maria Verônica da Silva, Cynthia Nunes da Rocha Fortes e Josemary Omena Passos Ferrare expressam a emoção que a descoberta proporciona, uma vez que a ausência de representações visuais da Maceió colonial sempre foi uma lacuna para historiadores. Elas ressaltam que a carta destaca com precisão a evolução da cidade e enfatiza a relevância do porto de Jaraguá como núcleo central do desenvolvimento urbano na região.
A nova luz lançada sobre Maceió por meio dessa carta náutica não apenas enriquece a compreensão de sua história, mas também representa um convite à valorização do patrimônio cultural da cidade, incentivando um olhar mais atento e respeitoso sobre suas origens e seu desenvolvimento ao longo dos séculos. Assim, a cidade se reafirma não apenas como um centro turístico contemporâneo, mas também como um lugar de profundas histórias e significados que cercam suas raízes.





