Formado pela Universidade Federal de Alagoas, Ezequiel construiu uma carreira sólida e multifacetada no jornalismo. Trabalhou como locutor e redator na antiga Rádio Palmares (AM 710), além de passar por outras emissoras tradicionais como as rádios Maceió, Difusora, Progresso e Gazeta. No campo do jornalismo escrito, deixou sua marca na Tribuna de Alagoas. Além dessas atividades, prestou serviços de assessoria para órgãos públicos, incluindo a Secretaria de Estado da Comunicação e o Sindicato dos Bancários.
Ezequiel também era lembrado por sua ativa participação no movimento estudantil, especialmente na luta contra a ditadura militar no Brasil. Essa militância lhe rendeu admiração de colegas e contemporâneos, como destacou Flávio Peixoto, diretor administrativo e financeiro da Jorgraf e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal). “Perdemos um grande radialista e jornalista. Uma pessoa solidária e um companheiro de verdade. Ezequiel deixa seu exemplo de integridade e profissionalismo. É um momento muito triste e quero manifestar meus sentimentos aos familiares”, declarou Peixoto.
A jornalista Olívia de Cássia ressaltou a versatilidade de Ezequiel ao longo de sua carreira. Eles foram colegas na universidade e, segundo Olívia, ele se destacou não apenas como radialista e jornalista, mas também como diagramador e repórter, além de ser um talentoso desenhista.
Alexandre Lino, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, destacou os pilares que nortearam a vida de Ezequiel: jornalismo, cultura e esquerda. “Perde o jornalismo. Perde a cultura. Perde a esquerda alagoana. Antonio Ezequiel tinha esses três compromissos como pilares em sua vida. Sempre gentil e atencioso, muitas vezes me orientou quando eu ainda dava os primeiros passos na profissão”, afirmou Lino, ressaltando também a presença constante de Ezequiel nas atividades sindicais e sua disposição em incentivar colegas mais jovens.
Entre suas realizações, Ezequiel é lembrado por uma relevante pesquisa na década de 1980 sobre a poluição das lagoas Mundaú e Manguaba, que já naquela época indicava problemas ambientais que se manifestariam mais gravemente no futuro, especialmente em relação à Braskem, anteriormente conhecida como Salgema.
Chico, amigo de longa data, compartilhou lembranças emocionadas de Ezequiel, destacando sua dedicação à arte, cultura e comunicação. “Ezequiel fez um trabalho extraordinário sobre o complexo estuarino Mundaú-Manguaba… deixou uma obra voltada para aquilo que ele mais gostava, que era a arte, a cultura e a comunicação. Saudades eternas, querido amigo Ezequiel,” concluiu Chico.
A morte de Antonio Ezequiel Cordeiro de Lima deixa um vazio imenso na comunidade jornalística e cultural de Alagoas, mas seu legado de profissionalismo e paixão pelas causas que abraçou será eternamente lembrado.







