A exploração de terras raras, essenciais para diversas indústrias modernas, está no centro das atenções do governo brasileiro, principalmente diante da avaliação de que o Brasil possui um imenso potencial para lucrar com essa riqueza mineral. Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil detém aproximadamente 21 milhões de toneladas de reservas desses elementos, colocando-o como o segundo maior detentor de terras raras do mundo.
Lula destacou a importância de o Brasil aprofundar seus conhecimentos nesse campo, ressaltando que o país possui um vasto potencial ignorado. “Sinceramente, achei que éramos quase analfabetos nesse assunto, mas ficou claro que temos muito a aprender e a explorar”, afirmou o presidente. Ele também mencionou as negociações em curso com o governo dos EUA para evitar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, ao mesmo tempo em que a Casa Branca busca acordos para explorar os minerais críticos no Brasil.
O Ministério de Minas e Energia, em um esforço para transformar o cenário mineral do Brasil até 2050, apresentou ao Conselho Nacional de Política Energética um plano ambicioso que visa aumentar a participação do Brasil na produção global de minerais críticos de 8,3% para 12,2%. Esse objetivo se fundamenta em projeções da Agência Internacional de Energia e considera as reservas conhecidas no país, com o intuito de alinhar a capacidade produtiva do setor.
Além disso, o Plano Nacional de Mineração (PNM) 2050 delineia diretrizes para investimento, regulação, pesquisa mineral e sustentabilidade, com a promessa de um documento mais detalhado a ser publicado em breve. Em meio a essa corrida global por recursos minerais, a mineradora Serra Verde, localizada em Goiás e a única fora da Ásia a produzir em escala os quatro elementos magnéticos essenciais, foi adquirida pela empresa americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões.
Lula finalizou sua participação na reunião enfatizando uma mudança significativa na trajetória do Brasil na exploração de terras raras, destacando a intenção do país de não se limitar a exportar matéria-prima, mas, sim, inteligência e inovações. Essa abordagem poderá distanciar o Brasil da simples condição de fornecedor de matérias-primas e sinaliza uma nova era na gestão dos recursos minerais no país.





