Nos últimos meses, o aumento do endividamento tem gerado preocupação no governo, uma vez que esse cenário pode impactar a popularidade da administração a poucos meses das eleições. Em 2022, Lula já havia prometido soluções para a questão, criticando os altos índices de endividamento que foram registrados no final do governo anterior. Uma das primeiras medidas adotadas por sua gestão foi a criação do programa “Desenrola”, que visa a renegociação de dívidas. Contudo, a recente elevação das taxas de juros para controle da inflação manteve os níveis de endividamento em patamares elevados, próximos aos do ano passado.
As estatísticas são alarmantes: em julho de 2022, o endividamento das famílias alcançou um pico, com a relação entre o saldo de dívidas e a renda em 12 meses atingindo 49,9% (excluindo o financiamento habitacional). O fechamento de 2022 apontou uma taxa de 49%, e em janeiro de 2023 o índice ficou em 49,7%. Adicionalmente, o comprometimento da renda familiar com parcelas de dívidas chegou ao impressionante patamar de 29,3%.
Diante deste cenário desafiador, o governo está em negociações com instituições financeiras para desenvolver um novo programa de renegociação de dívidas em atraso. A proposta busca simplificar e encurtar o processo, priorizando modalidades de crédito que apresentam custos mais elevados, como o cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais. Segundo informações de Dario Durigan, a meta é proporcionar descontos que podem chegar até 80% no valor das dívidas, com a opção de refinanciamento do montante restante. Além disso, estuda-se a definição de um teto para as taxas de juros dos novos contratos, uma medida que pode facilitar o acesso a crédito mais seguro para as famílias endividadas.





