Durante a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Lula deixou claro em conversas internas que, caso a rejeição se concretizasse, seria necessário pensar em novos caminhos. No entanto, ele descartou qualquer hipótese de ceder às pressões do Senado e indicar Rodrigo Pacheco, presidente da casa, como substituto para a vaga. Em declarações que circularam entre seus interlocutores, Lula ressaltou a importância de manter sua autonomia, afirmando que “não daria a eles o que eles querem”.
Essa avaliação se intensificou após a votação, quando Messias conseguiu apenas 34 votos favoráveis, evidenciando a resistência do Senado em aceitar a indicação presidencial. Para os aliados de Lula, agora a possibilidade de indicar Pacheco foi quase completamente eliminada. O presidente do Senado figurava como o preferido de Davi Alcolumbre, e atender ao seu desejo, especialmente após a articulação que resultou na derrota de Messias, implicaria em subverter a prerrogativa presidencial e conceder poder político a Alcolumbre.
Ainda assim, a situação não afeta o apoio de Lula a Pacheco nas eleições para o governo de Minas Gerais. O senador, que recentemente se filiou ao PSB, é visto como uma peça chave no cenário eleitoral, especialmente em um estado que representa o segundo maior colégio eleitoral do país.
Pessoas próximas ao presidente indicam que Lula não tomará uma decisão imediata sobre um novo nome para o STF e que não buscará um confronto direto com Davi Alcolumbre. As prioridades agora parecem se concentrar em observar a evolução do clima político, permitindo que as tensões se dissipem antes de determinar os próximos passos. Na noite da quarta-feira posterior à derrota, Lula se reuniu com Jorge Messias no Palácio da Alvorada, acompanhado de outros ministros, uma conversa que provavelmente serviu para elaborar estratégias diante desse novo cenário complexo.
