A equipe do PT argumenta que o cenário geopolítico atual demanda uma postura de maior autonomia política e econômica por parte do Brasil. O plano enfatiza a necessidade de uma decisão independente, que não fique subordinada a potências externas, em função dos interesses nacionais. É uma resposta ao que o partido considera uma onda de unilateralismo e protecionismo global, intensificada por conflitos que não se viam desde a Segunda Guerra Mundial.
Entre as prioridades do plano, destaca-se a proposta de expansão da Cooperação Sul-Sul, com ênfase em mecanismos financeiros dentro do BRICS. Lula pretende inovar o sistema financeiro internacional, garantindo maior participação de países em desenvolvimento em organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O fortalecimento de instituições como o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe e o Novo Banco de Desenvolvimento é prioritário, com o objetivo de criar alternativas de financiamento.
Em nível regional, o PT quer aprofundar a integração com os países vizinhos em áreas como infraestrutura, defesa, e saúde, além de propor a criação de um mercado comum sul-americano de energia. O documento do plano também reforça a intenção de manter a América do Sul e o Caribe como zonas de paz.
No contexto multilateral, a reforma do Conselho de Segurança da ONU aparece como uma das principais agendas. Lula defende um órgão mais democrático, com inclusão de países em desenvolvimento entre os membros permanentes. Além disso, o presidente brasileiro visa garantir que o país tenha voz nas regras internacionais sobre questões emergentes, como tecnologias digitais e inteligência artificial, concentrando-se em princípios de soberania digital e proteção de dados.
Esse plano multifacetado aponta para uma nova fase nas relações internacionais do Brasil, caracterizada pela busca de maior protagonismo e menos dependência de potências tradicionais, alinhada às necessidades e interesses do Sul Global.




