Em seu discurso, Lula destacou que a disparidade entre os países ricos e os mais pobres tem se agravado. “O sistema atual, que produz riqueza em abundância, falha em oferecer oportunidades de forma equitativa”, declarou. Ele reforçou que a distância entre a prosperidade observada em países desenvolvidos e a realidade tensa vivida por bilhões no Sul Global continua a crescer, revelando a urgência de ações concretas para mitigar essa desigualdade.
O presidente brasileiro trouxe à tona dados alarmantes sobre a recente redução na ajuda internacional, mencionando uma queda de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento no ano anterior. Além disso, destacou que o Programa Mundial de Alimentos sofreu uma diminuição de 40% em seu financiamento e que organizações como a OMS e o UNICEF cortaram seus orçamentos em mais de 20%. Para Lula, esses números não são meras estatísticas; eles refletem a dura realidade de milhões que enfrentam a falta de alimento, educação e proteção em diversas partes do mundo.
Ele também criticou a abordagem neoliberal que tem promovido um Estado mínimo e desregulamentação, exacerbando as desigualdades e contribuindo para a crise democrática em várias nações. “Estamos presos a dogmas que priorizam a austeridade e desregulamentação, o que apenas agrava a desigualdade e a crise política nas democracias”, alertou o presidente.
Em contrapartida, Lula mencionou que ainda existem caminhos viáveis para reverter essas desigualdades. Citou iniciativas do Brasil, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que busca incentivar a conservação e o desenvolvimento sustentável, e destacou a importância de ações inovadoras, como a troca de dívidas por investimentos sociais.
Além de ressaltar a importância do combate ao tráfico de drogas, Lula enfatizou que essa luta deve ser abrangente, integrada a outros delitos como lavagem de dinheiro e tráfico de armas, exigindo uma forte cooperação internacional.
Por último, o presidente apontou a necessidade de incluir discussões sobre inteligência artificial e acesso a tecnologias avançadas no diálogo sobre desenvolvimento. Ele finalizou sua fala refletindo sobre a importância da industrialização e formação de capacidades nos países detentores de minerais críticos, afirmando que a equidade deve ser uma prioridade em todas as etapas do desenvolvimento global.
