Lula Participa de Fórum Internacional no Panamá com Direitistas, Marcando sua Primeira Viagem Internacional de 2026 em Meio a Regras de Trump

Na manhã desta terça-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para uma de suas primeiras missões no exterior em 2026, rumo ao Panamá. Ele participará do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, um evento que reunirá líderes com distintas visões políticas, muitos dos quais apresentam um alinhamento com a administração do ex-presidente norte-americano Donald Trump. Dentro desse contexto político, a viagem de Lula se insere como um esforço para reafirmar o papel do Brasil na dinâmica latino-americana, em um cenário de certo “caos” nas relações internacionais.

Durante o evento, o mandatário brasileiro encontrará diversos presidentes e líderes regionais, incluindo o presidente panamenho José Raúl Mulino. Mulino tem se articular com Trump em torno de assuntos estratégicos, como a gestão do Canal do Panamá, o que destaca a natureza polêmica da diplomacia na região. Além disso, Lula se deparará com o futuro presidente chileno, José Antonio Kast, que já fez críticas severas ao governo brasileiro, chamando Lula de “bandido”. A expectativa é que ambos tenham uma oportunidade de diálogo no Panamá, um encontro que promete discussões acaloradas, dada a tensão do passado.

O Itamaraty está em busca de viabilizar um encontro entre Lula e Rodrigo Paz, recém-empossado presidente da Bolívia, que rompeu com uma era de lideranças progressistas no país andino. Essa aproximação pode ser um indicativo das mudanças de paradigma na política sul-americana, na qual ex-líderes progressistas se veem confrontados por um novo turno político.

Além dos presidentes mencionados, o evento contará com a presença do liberal Daniel Noboa, presidente do Equador, e do primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness. A única participação da centro-esquerda será a da primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, que contrasta com a maioria dos líderes direitistas presentes.

Um dos tópicos emergentes na agenda de Lula será a situação da Venezuela. Apesar das diferenças nas abordagens entre os governos brasileiro e panamenho, a questão venezuelana não deverá ser o foco central das discussões, segundo a embaixadora Gisela Padovan, do Itamaraty. Ela ressaltou que, embora existam divergências, o diálogo entre os países continua de forma calma e construtiva.

Lula deve chegar à Cidade do Panamá no final da tarde de terça-feira, com sua participação programada para o dia seguinte. Ele também se reunirá para um almoço com outros chefes de Estado, onde abordará, entre outras questões, as perspectivas econômicas para a região e o papel do setor privado no desenvolvimento econômico da América Latina. A visita de Lula promete marcar uma nova fase nas relações diplomáticas na América Latina, em um momento de transição e reconfiguração política.

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