Com a proposta, o governo federal busca oferecer uma solução a milhões de brasileiros que enfrentam dificuldades financeiras, especialmente em um cenário em que o Banco Central estima que cerca de 117 milhões de cidadãos estão com contas pendentes. A renegociação incluirá débitos relacionados a cartões de crédito, cheque especial e crédito pessoal, além de dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
O programa é dividido em quatro frentes: famílias, Fies, empresas e agricultores. O foco predominante está na linha para famílias, que oferecerá um acesso simplificado aos beneficiários. As contrapartidas financeiras incluem a possibilidade de utilizar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar as dívidas, com um mínimo de R$ 1 mil e previsões de um total de até R$ 8,2 bilhões alocados para tal.
Em relação às condições financeiras, os juros das renegociações foram limitados a 1,99% ao mês, e os descontos podem variar de 30% a impressionantes 90%, dependendo do tipo de dívida e do prazo do pagamento. Para facilitar o entendimento dos cidadãos, uma calculadora será disponibilizada para simular os possíveis abatimentos.
Para garantir que a iniciativa atenda ao público alvo, o governo também criará um fundo garantidor com aporte de valores não utilizados em bancos, estimando-se entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões, além de até R$ 5 bilhões adicionais da União. Uma condição importante para os beneficiários é a proibição de acessarem plataformas de apostas online por um período de um ano após aderirem ao programa.
O Novo Desenrola Brasil surge num momento desafiador para o governo, que enfrenta resistências no Congresso e dificuldades para avançar em pautas estruturais. Com isso, a administração Lula tenta se aproximar dos cidadãos mais afetados pelo endividamento, buscando recuperar apoio em vista das eleições de 2026. O presidente enfatizou que a renegociação deve ocorrer de forma responsável, alertando para a necessidade de uma gestão consciente das finanças pessoais.
