Apesar de um clima de tensão nas relações comerciais entre Brasil e EUA, não há agendamentos formais para uma reunião direta entre Lula e o presidente americano. No entanto, a tradição dos encontros no G7 permite que conversas informais surjam, assim como aconteceu no ano passado durante a Assembleia Geral da ONU, o que poderia abrir espaços para um diálogo mais produtivo entre os líderes.
A decisão de Lula de comparecer ao G7 foi tomada um dia após a divulgação de um relatório que sugere a possibilidade de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, baseado na Seção 301 da Lei de Comércio Americana. Apesar de o Brasil não estar entre as principais economias globais, foi convidado pelos organizadores franceses e tinha a possibilidade de comparecer ao evento em aberto.
Discorrendo sobre o cenário atual, assessores de Lula acreditam que buscar um encontro formal com Biden seria mais uma formalidade do que uma oportunidade real. No entanto, uma conversa informal poderia fornecer uma chance de mitigar as ameaças de tarifas. O presidente brasileiro já tem reuniões agendadas com Emmanuel Macron, da França, e Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão, o que pode aumentar a relevância de sua visita.
Além da tarifa de 25%, os EUA estudam implementar uma taxa adicional de 12,5% sobre produtos de cerca de 60 países, incluindo o Brasil, alegando deficiências no combate ao trabalho forçado. A recente inclusão de organizações brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), na lista de entidades terroristas pelos EUA, causou desconforto em Brasília, assim como a recepção do senador Flávio Bolsonaro na Casa Branca.
Dentre as medidas avaliadas, a sobretaxa de 25% é a única que parece passível de revisão num futuro próximo. O governo brasileiro considera que é mais vantajoso discutir essa questão através da equipe negociadora que foi formada após um encontro entre Lula e Trump em maio.
No último sábado, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, teve uma reunião virtual com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, e novas rodadas de negociações estão previstas para os próximos dias.
Durante sua participação no G7, Lula deverá abordar os perigos associados ao unilateralismo e ao enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC), em um cenário onde a discussão focará sobre os desequilíbrios macroeconômicos globais. Apesar de suas críticas aos EUA, o presidente tem sido aconselhado a adotar um tom mais diplomático, alinhando-se ao espírito cooperativo do G7.





