Na pauta internacional, a transição energética assumiu um papel central, juntamente com a discussão sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Lula enfatizou o protagonismo do Brasil na produção de biocombustíveis, mencionando que especialistas alemães reconheceram a eficácia do etanol brasileiro na redução das emissões de carbono, com um impacto de até 90% em comparação com a gasolina. Contudo, o presidente também não hesitou em criticar o protecionismo verde da Europa, reivindicando um tratamento mais justo e um reconhecimento do Brasil como um líder nesse setor.
Comentaristas acadêmicos, como José Paulo Martins, professor de ciência política da Universidade Federal Fluminense, observam a crescente relevância do Brasil como referência em economia verde, dada sua matriz energética predominante de fontes limpas. Para Martins, o país se posiciona de forma estratégica no debate sobre diversificação energética. Clarisse Gurgel, cientista política da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, complementa que a transição energética é uma continuação das políticas iniciadas por Lula em seus primeiros mandatos. No entanto, ela critica a relação dos biocombustíveis com a monocultura e as desigualdades na distribuição de terras, que devem ser levadas em consideração.
Lula também falou sobre minerais críticos, revelando que apenas 30% do potencial mineral brasileiro está mapeado. O país possui as maiores reservas de nióbio e significativas quantidades de grafita e níquel. Ele defendeu a ideia de que o Brasil deve estabelecer acordos que envolvam desenvolvimento e transferência de tecnologia, ao invés de ser um mero exportador de commodities.
Por fim, a visita de Lula à Alemanha foi marcada por uma postura ativa e firme em defesa da economia verde e do protagonismo internacional do Brasil, reforçando seu papel como líder global no combate às mudanças climáticas e na promoção de uma democracia sólida dentro do país.
