Trump tem alimentado tensões ao fazer acusações infundadas contra o governo sul-africano, especialmente relacionadas a uma legislação de reforma agrária. Recentemente, ele decidiu interromper o apoio financeiro ao país, medida que gerou protestos e preocupação internacional. Nessas circunstâncias, Lula expressou seu apoio a Ramaphosa, fazendo claro que um veto a um membro fundador do G20 seria inadequado e prejudicial à integridade do grupo.
Durante uma entrevista em Hanôver, na Alemanha, após se reunir com o chanceler Friedrich Merz, Lula ressaltou que, se estivesse no lugar de Ramaphosa, iria ao G20 não como convidado, mas como um representante legítimo e fundador do bloco. Ele enfatizou que a África do Sul tem seu lugar garantido nessa discussão, reforçando que Trump não possui a autoridade para impedir o acesso ao fórum.
O presidente brasileiro também argumentou que as acusações de Trump sobre um suposto “genocídio branco” na África do Sul são totalmente infundadas. Para Lula, a possibilidade de vetar a participação de um membro enfraqueceria o G20 e abriria precedentes perigosos. “Se começarmos a remover países, gradualmente vamos ver a Alemanha, o Brasil e outros sendo excluídos. Precisamos nos unir e assegurar que todos os membros mantenham seus lugares. Não se pode tratar o G20 como se fosse um Conselho da Paz controlado por uma única nação”, afirmou.
Lula lembrou que o G20 foi criado em resposta à crise financeira de 2008, uma situação originada nos Estados Unidos, e, portanto, é essencial que todos os 20 países fundadores tenham voz e voto nas deliberações do foro. A declaração do presidente brasileiro destaca não apenas seu apoio à África do Sul, mas também um compromisso mais amplo com a multilateralidade e o diálogo coletivo em um mundo marcado por crescente polarização e nacionalismo. A viagem oficial de Lula pela Europa, que já incluiu visitas à Espanha e à Alemanha e ainda passará por Portugal, reflete sua estratégia de reforçar alianças internacionais e posicionar o Brasil como um defensor dos princípios da cooperação e da inclusão no cenário global.
