Lula defende igualdade e multilateralismo em discurso na Mobilização Progressista Global em Barcelona, criticando guerras e desigualdades enfrentadas pelo Sul Global.

No último sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma importante declaração durante o encerramento da Mobilização Progressista Global, um evento que aconteceu em Barcelona e que reuniu líderes políticos de diferentes nações em prol da defesa da democracia. Em seu discurso, Lula enfatizou a urgência de um movimento progressista global, afirmando que a luta pela igualdade deve ser uma prioridade para todos os governantes voltados para o bem-estar da população.

O presidente ressaltou que o que caracteriza os progressistas é a escolha pela igualdade, sublinhando que as ações devem estar sempre voltadas ao interesse do povo. Lula argumentou que, no atual cenário mundial, não adianta manter a ordem em um país enquanto o planeta enfrenta um estado de desordem, onde conflitos violentos e guerras se espalham por diversas regiões. “Os senhores da guerra jogam bombas em mulheres e crianças”, criticou, apontando para a necessidade de uma resposta internacional mais solidária e eficaz.

Ainda em sua fala, o presidente fez uma reflexão contundente sobre a disparidade de investimentos globais. Enquanto grandes potências direcionam trilhões de dólares para armamentos, Lula enfatizou que esses recursos poderiam ser redirecionados para causas humanitárias urgentes, como a erradicação da fome, melhorias na saúde e uma transição energética sustentável. Ele pontuou que o Sul Global, frequentemente tratado como “quintal das grandes potências”, é quem arca com os custos dessas guerras e das mudanças climáticas, sendo sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis.

Lula também abordou a escalada de conflitos armados, afirmando que o mundo atualmente enfrenta a maior quantidade de guerras desde a Segunda Guerra Mundial. Ele citou exemplos históricos de intervenções militares que, segundo ele, foram baseadas em mentiras, como a invasão do Iraque e a interferência na Líbia, questionando a legitimidade desses atos.

No que se refere ao cenário internacional, o presidente pediu uma reforma na Organização das Nações Unidas (ONU), sugerindo que a credibilidade do órgão foi prejudicada pela irresponsabilidade dos membros permanentes. Ele defendeu a criação de um sistema em que todos os países tenham igualdade de condições nas principais instituições financeiras mundiais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, para que possam ter voz e vez nas questões que afetam a todos. Esta visão reflete uma busca por um mundo mais justo, em que a diplomacia prevaleça sobre a guerra.

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