“Todos conhecem a controvérsia em torno da Margem Equatorial. Eu pensava que teríamos que derrubar uma árvore para retirar petróleo, mas agora entendo que a distância é de mais de 500 km da foz e que o acesso é complicado”, afirmou Lula, ao relatar sua experiência de voo de helicóptero até o local, onde constatou de perto as atividades da Petrobras. O presidente citou a descoberta do pré-sal em 2007 como um paralelo à importância das novas explorações.
Lula destacou a relevância da pesquisa para o setor petrolífero, enfatizando que “não é viável para uma empresa de petróleo operar sem realizar investigações prévias”. Essas atividades exigem investimentos substanciais, mesmo sem garantia de retorno, evidenciando a necessidade de um compromisso contínuo com a pesquisa.
Ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que expressou sua gratidão pela descoberta, Lula e Alcolumbre visitaram um navio-sonda da Petrobras em operação na Margem Equatorial. Na ocasião, a Petrobras anunciou sinais de petróleo e gás em uma nova perfuração na área, reforçando a esperança de novas reservas energéticas.
Durante seus comentários, Lula não hesitou em criticar a venda de ativos estratégicos pela Petrobras, incluindo fábricas de fertilizantes e refinarias. Ele destacou que se questiona sobre o que o Brasil realmente ganhou com essas privatizações, sugerindo que as decisões tomadas por gestores anteriores poderiam ser vistas como desastrosas.
Davi Alcolumbre, por sua vez, falou sobre a importância da soberania energética do Brasil frente a pressões externas. O senador enfatizou que é fundamental que os brasileiros decidam sobre seu futuro energético, uma declaração que ressoou em um momento de crescente reaproximação entre ele e o presidente Lula, após meses de afastamento político.
O poço, identificado como Morpho, ainda está em fase de perfuração, e a Petrobras trabalha para determinar a viabilidade da exploração em larga escala. Este esforço se insere dentro de um contexto mais amplo em que a Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, é considerada uma das principais áreas com potencial de novas descobertas, especialmente à luz das recentes descobertas em países vizinhos como Guiana e Suriname. No entanto, a exploração na região também enfrenta críticas e preocupações com impactos ambientais, refletindo um dilema que continua a ser debatido na sociedade brasileira.




