Lula defende agilidade no desenvolvimento de tecnologias e critica atraso em projeto de turbina a etanol em reunião sobre soberania digital.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez declarações enfáticas nesta terça-feira sobre a urgência do Brasil em acelerar o desenvolvimento de tecnologias, em especial no campo da inteligência artificial. Durante uma reunião dedicada à soberania digital, Lula destacou que o país precisa se esforçar mais, uma vez que depende de sua própria iniciativa para avançar em um cenário global cada vez mais competitivo. O presidente utilizou a metáfora de que “ninguém vai levantar para o Brasil sentar”, enfatizando que a responsabilidade recai sobre o governo e a sociedade para impulsionar a inovação.

Lula expressou preocupação com a perda de controle sobre tecnologias essenciais, sugerindo que o domínio sobre ferramentas de inteligência artificial pode transferir poder das mãos do Estado para empresas privadas. Neste contexto, afirmou que a celeridade na criação de soluções tecnológicas é fundamental. Ele lembrou de uma experiência anterior que exemplifica a lentidão do país nesse setor: a turbina movida a etanol, projeto descoberto por ele em 2010 durante uma visita ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Lula mencionou que, após assumir o cargo pela segunda vez, questionou a Força Aérea Brasileira sobre o estado do projeto, que estava estagnado devido à falta de recursos.

“Ficamos 13 anos parados. Poderíamos ser fabricantes de turbina hoje”, lamentou o presidente, que ressaltou a necessidade de que o governo realize encomendas para fortalecer áreas prioritárias como a inteligência artificial. O protótipo da turbina, denominando UGEE1000BR, utiliza etanol para geração de energia elétrica e foi apresentado recentemente, com a capacidade de abastecer cerca de 3,6 mil residências. Para Lula, a ampliação do uso dessa tecnologia não só demanda escala, mas também um comprometimento do governo em fazer investidas para viabilizar essa realidade. Ele vislumbra oportunidades de exportação para América Latina e África, enfatizando que o papel do governo é absolutamente crucial nesse processo.

O presidente encerrou sua fala deixando claro que, para o Brasil não ficar para trás, é vital que haja uma estratégia clara de investimento e desenvolvimento tecnológico, alertando sobre a inevitabilidade de que o futuro exige rapidez e determinação.

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