Lula começou seu discurso abordando os benefícios que a revolução tecnológica trouxe para setores variados, como a indústria, saúde, segurança alimentar e energia. Contudo, ele também não hesitou em apontar os desafios significativos que acompanham tais inovações. Exemplos citados incluíram o uso de armas autônomas, disseminação de discursos de ódio, desinformação e a exploração de crianças e mulheres através da manipulação de imagens. Essas questões, segundo o presidente, requerem uma regulação mais eficaz e uma colaboração internacional mais profunda.
Um dos pontos centrais do discurso de Lula foi a concentração do mercado digital, onde muitos países em desenvolvimento permanecem como meros fornecedores de dados e consumidores de tecnologia, sem usufruir plenamente das vantagens da economia digital. Ele defendeu a ideia de que os dados gerados pelos cidadãos e instituições de cada país são essenciais para o seu próprio desenvolvimento, fazendo da infraestrutura digital pública um ativo estratégico do século XXI.
O presidente também utilizou o sistema de pagamentos instantâneos, o Pix, como um exemplo exitoso de política pública na área digital. A ferramenta, embora não mencionada diretamente, foi tratada como uma das principais inovações oferecidas pelo Estado brasileiro. Lula descreveu o Pix como uma entrega significativa ao cidadão, promovendo inclusão financeira e eficiência.
Além das questões de tecnologia, Lula ressaltou a necessidade de regulamentar as plataformas digitais, enfatizando os esforços do governo brasileiro para proteger vulneráveis na internet. Ele também defendeu que a discussão sobre inteligência artificial deve ser liderada por fóruns multilaterais, com a coordenação das Nações Unidas, para garantir um entendimento e regulação adequados.
Em um momento de tensões comerciais com os Estados Unidos, ao qual o Pix foi indiretamente vinculado, Lula sublinhou a importância de olhar além das fronteiras nacionais. Ele chamou atenção para o potencial de crescimento em diversas regiões, como África e América Latina, e enfatizou que o desenvolvimento mundial depende da ampliação de oportunidades para aqueles que estão à margem da economia. Para o presidente, a ampliação de investimentos em infraestrutura e qualificação profissional é crucial para aumentar a renda e a qualidade de vida da população.





