Lula salientou que a imposição das tarifas parece ter uma motivação política subjacente, destacando que esse movimento vai além de questões comerciais e ameaça a parceria bilateral entre Brasil e Estados Unidos. O presidente lembrou que, há um ano, recebeu uma carta do ex-presidente Donald Trump que anunciava a tarifa de 50% sobre determinados produtos brasileiros, fazendo referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Lula, essa correspondência deixou claro que as tarifas estavam ligadas a interesses políticos, ignorando conversações anteriores entre os dois países.
Além disso, o presidente brasileiro destacou a diminuição das exportações do Brasil para os EUA, que atingiu o menor nível desde 1997, ao mesmo tempo em que o comércio com potências como a Europa e a China tem se expandido. Para Lula, a imposição dessas tarifas pode provocar uma reconfiguração nas cadeias de suprimento, uma vez que empresas em solo brasileiro buscam alternativas, substituindo fornecedores estadunidenses.
Lula também criticou a abordagem dos EUA no Hemisfério Ocidental, afirmando que a região não precisa de táticas como “porta-aviões nem tarifas punitivas”, mas sim de parcerias estratégicas e previsíveis para enfrentar desafios comuns. Ele fez um apelo por iniciativas que promovam investimento, comércio justo e combate ao crime organizado, distantes de intervenções consideradas neocoloniais que vêm historicamente de potências estrangeiras.
Por fim, Lula rebateu as alegações feitas por Trump em relação ao Brasil, classificando-as como infundadas e subestimando a relevância das políticas que têm sido implementadas na luta contra o desmatamento e na regulação de plataformas digitais, como o sistema de pagamento instantâneo, o Pix. Esse conjunto de reações evidencia uma fase de turbulência nas relações Brasil-EUA, que se destaca não apenas pelas questões tarifárias, mas pelas implicações políticas que as acompanham.





