Esses protestos, que começaram a ganhar força em maio, são liderados por diversos grupos, incluindo trabalhadores, professores, camponeses, indígenas, transportadores e setores sindicais da Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB). Em resposta, o Itamaraty destacou a solidariedade de Lula ao governo e ao povo bolivianos, enfatizando a necessidade de um respeito irrestrito às instituições democráticas e ao Estado de Direito.
O presidente brasileiro também apelou para que tanto o governo quanto os grupos sociais evitem a violência, propondo o diálogo como a alternativa mais eficaz para resolver as divergências atuais e preservar a paz social. As mobilizações populares têm sido especialmente fortes nas regiões de Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca, onde os bloqueios rodoviários têm afetado significativamente o tráfego, dificultando o acesso a La Paz.
No último sábado, 23, as forças policiais e militares deram início à “Operação Bandeiras Brancas”, com o intuito de reestabelecer a circulação na rodovia La Paz-Oruro e em outras vias estratégicas, resultando em confrontos violentos em locais como Senkata, em El Alto. Durante essas ações, a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que resistiram aos bloqueios.
Os protestos são alimentados por um descontentamento em relação às reformas econômicas propostas pelo governo, com acusões de que Rodrigo Paz está negligenciando demandas essenciais ligadas a salários, terras e políticas de saúde e educação. O presidente, que está em seu sexto mês de mandato e já enfrenta a mais grave crise econômica da Bolívia nos últimos 40 anos, atribui as manifestações a uma articulação política de Evo Morales, seu antecessor no cargo.
Morales, que foi presidente entre 2006 e 2019, viu sua possibilidade de retorno ao poder barrada por uma decisão constitucional que limitou reeleições. Atualmente, o governo da Bolívia denunciou esses protestos à Organização dos Estados Americanos (OEA), argumentando que eles visam desestabilizar a ordem democrática.
A crise econômica no país se agrava com a escassez de dólares, inflação crescente — alcançando 14% em abril — e dificuldades na importação de alimentos, medicamentos e combustíveis devido aos constantes bloqueios. Dessa forma, a ajuda humanitária anunciada por Lula se apresenta como uma tentativa urgente de mitigar os impactos da crise sobre a população boliviana.





