Lula destacou o que considera uma grave falha da legenda: a aprovação do Orçamento de 2026, que contempla R$ 61 bilhões destinados a emendas parlamentares em votação simbólica realizada pelo Congresso em dezembro passado. Segundo ele, essa decisão deve ser objeto de uma reflexão crítica dentro do partido. “Vocês têm a obrigação de não deixar que o partido vá para a vala comum da política desse país”, enfatizou, ressaltando a necessidade de um autoexame dos líderes e filiados.
O presidente expressou saudade de tempos em que as campanhas eram sustentadas por meio de ações mais honestas e espontâneas, como a venda de camisetas e outros itens. “A política apodreceu. A direita não quer que sejamos piores do que eles, mas que sejamos iguais”, lamentou. Com essas palavras, Lula reforçou a urgência de o PT se revitalizar e se posicionar de forma diferente em relação ao que ele vê como uma degradação dos princípios que fundamentaram a fundação do partido.
Ele argumentou que o fortalecimento do PT não deve girar em torno de sua figura, mas sim do partido enquanto instituição. “É o partido que tem que ser forte, não é o Lula. O Lula é uma pessoa física; vocês são uma pessoa jurídica que não pode acabar”, advertiu, enfatizando a importância do coletivo.
Com essas declarações, Lula não só comemorou os 46 anos do PT, mas também lançou um desafio à militância: repensar suas práticas e a direção futura para evitar que a sigla se dilua em um cenário político cada vez mais adverso. A necessidade de renovação e de um compromisso real com as bases ideológicas do partido se colocou como um imperativo em um momento em que a política brasileira busca novos rumos.
