Para ser aprovado na CCJ, Messias precisa de uma maioria simples, ou seja, 14 dos 27 votos disponíveis. Já na etapa final, que é a votação em plenário, a metade mais um dos 81 senadores precisará apoiá-lo — ou seja, são necessários 41 votos. Até o momento, Messias tem o suporte de pelo menos 47 parlamentares, resultado de uma série de visitas e reuniões que ele realizou com senadores, incluindo alguns da oposição.
Em uma estratégia adicional para garantir o engajamento e apoio, o governo acelerou a liberação de emendas parlamentares. Somente em abril, o Executivo empenhou cerca de R$ 11,6 bilhões, enquanto o montante liberado entre janeiro e março foi de apenas R$ 1 bilhão. Neste ano, o Congresso estabeleceu um calendário que exige a liberação de 65% das emendas individuais e de bancada até julho, totalizando aproximadamente R$ 38 bilhões. Dessa quantia, R$ 2,5 bilhões já foram destinados a senadores e representam 41% do total destinado aos membros do Senado.
No âmbito da CCJ, houve manobras políticas para reformular a composição do colegiado, visando facilitar a aprovação de Messias. O senador Sergio Moro (União-PR) foi substituído por Renan Filho (MDB-AL), e Cid Gomes (PSB-CE), que não havia se manifestado sobre a indicação, foi trocado por Ana Paula Lobato (PSB-MA), que já demonstrou apoio ao indicado. Com essas mudanças, o governo acredita que conseguirá no mínimo 15 votos favoráveis na CCJ, um a mais do que o necessário.
A mobilização também envolve o retorno de Wellington Dias (PT-PI) ao Senado, tendo sido exonerado temporariamente do Ministério do Desenvolvimento Social para somar forças na votação. Essa preparação ocorre em um contexto de crescente resistência às indicações de Lula ao STF. O presidente indicou 11 nomes à Suprema Corte desde seu primeiro mandato em 2003, mas o processo atual revela um aumento nas rejeições.
Messias é o terceiro indicado de Lula durante este mandato. O primeiro, Cristiano Zanin, conseguiu aprovação com 21 votos a favor na CCJ e 58 no plenário. A sabatina de Messias, programada para ocorrer cinco meses após sua indicação, reflete a cautela do governo devido ao clima instável nas relações com o Senado. O advogado-geral tem trabalhado para conquistar os votos necessários, se reunindo até mesmo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em busca de apoio.
Contudo, Alcolumbre demonstrou resistência à indicação de Messias, tornando o cenário ainda mais desafiador para o governo. Essa relação conturbada resultou em pressões para que o ex-presidente do Senado e aliado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), fosse considerado para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro do ano passado.
