As queixas, que se acumulavam há semanas, revelavam um cenário preocupante. Muitos comerciantes, que dependem das vendas para a sobrevivência de seus negócios, reportavam que o dinheiro das transações simplesmente não era repassado. O grupo das empresas liquidadas, que conta com 26 estabelecimentos, está sob investigação por possíveis vínculos com o Banco Master. Especialistas apontam que Daniel Vorcaro, ex-banqueiro desse banco, pode ter um papel oculto na administração da Entrepay.
A Entrepay, que também é parte do chamado Grupo Entre, opera no setor de adquirência – facilitando pagamentos em cartões de crédito e débito. Embora o crescimento de suas transações tenha sido significativo, totalizando R$ 12,8 bilhões em 2024, sua estabilidade financeira foi chamada em questão. A Receita Federal registrou seu capital social em R$ 581 milhões, enquanto a Acqio e a Octa apresentavam patrimônios menores.
Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, é o principal nome por trás da estrutura da Entrepay. Após sua fundação em 2016, ele consolidou um ecossistema por meio de aquisições, incluindo a operação da Global Payments no Brasil. Contudo, a confiança no grupo foi abalada após o Banco do Nordeste rescindir o contrato devido a atrasos no repasse e outras irregularidades.
Além da dificuldade financeira, o histórico das empresas do grupo vem sendo analisado por órgãos reguladores. A suposta ligação com casos de irregularidades na Comissão de Valores Mobiliários e a prisão de Vorcaro levantaram ainda mais questões sobre a governança da Entrepay. Com a liquidação determinada pelo Banco Central, o futuro dos pequenos comerciantes e a situação financeira de milhares de clientes permanecem incertos, complicando ainda mais o cenário econômico para um setor já fragilizado.






