Liquidação da Entrepay: Impactos para as Bandeiras de Cartão no Brasil
No último dia 27 de março, a liquidação da fintech Entrepay pelo Banco Central (BC) levantou preocupações significativas entre as principais bandeiras de cartões de crédito, como Mastercard e Visa. A Entrepay, que atuava como adquirente, facilitava transações entre lojistas e as bandeiras por meio de maquininhas de cartão. Embora a empresa tenha sido considerada de menor porte no contexto do Sistema Financeiro Nacional, com um ativo estimado em apenas 0,009% do total do sistema até dezembro de 2025, suas operações resultaram em um cenário potencialmente problemático para o ecossistema de pagamentos.
A regulamentação do BC, estabelecida em novembro de 2025, reforça a responsabilidade das bandeiras em garantir o pagamento aos recebedores, mesmo em casos de falhas por parte de adquirentes. Isso significa que, se a Entrepay não repassasse os valores devidos, a Mastercard e a Visa seriam obrigadas a cobrir esses custos com seus próprios recursos. Esse fator torna as bandeiras vulneráveis à liquidação da fintech, que está sendo analisada pelo mercado, ainda sem uma estimativa precisa de prejuízos.
Um caso recente que serve como alerta foi a liquidação do Will Bank, também relacionado ao conglomerado Master, que causou um impacto financeiro superior a R$ 5 bilhões à Mastercard. Com a liquidação da Entrepay, o temor é que os efeitos se repitam, refletindo na saúde financeira das bandeiras envolvidas.
Procuradas, a American Express e a Elo não apresentaram respostas, enquanto o Nubank enfatizou ter encerrado suas operações com a Entrepay dentro de um arranjo regulamentado. A fintech classifica o episódio como isolado, minimizando seu impacto.
A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) está atenta ao desenrolar da situação, afirmando que já iniciou diálogos com as autoridades e participantes do mercado para mitigar os efeitos da liquidação. A Abecs reitera a importância de manter a integridade e confiabilidade do sistema de pagamentos no país.
As origens do problema remontam a desvios financeiros e atrasos em repasses que a Entrepay vinha enfrentando. Com relatos de R$ 2,5 bilhões em recebíveis retidos, o cenário se complicou ainda mais após a rescisão de contrato com o Banco do Nordeste.
O Brasil, agora, observa atentamente as repercussões desta liquidação. Embora o BC tenha tentado acalmar os ânimos ao afirmar que o risco total ao sistema financeiro é limitado, o impacto nas bandeiras e as possíveis perdas nas transações ainda permanecem incógnitas no horizonte econômico. O que resta é aguardar as avaliações completas e a forma como esse episódio afetará o tecido financeiro do país.






