ECONOMIA – Liquidação da Entrepay pelo Banco Central traz insegurança para bandeiras de cartões e gera incertezas sobre prejuízos no mercado financeiro brasileiro

Liquidação da Entrepay: Impactos no Setor de Cartões de Crédito

Na última sexta-feira, o Banco Central (BC) anunciou a liquidação da fintech Entrepay, uma medida que promete trazer reflexos significativos para as gigantes do setor de cartões de crédito, como Mastercard e Visa. A Entrepay operava como uma adquirente, funcionando entre lojistas e as bandeiras de cartões, o que a torna um elo crucial na cadeia de pagamentos. Agora, com sua dissolução, as consequências estão começando a ser sentidas.

O sistema financeiro já possui um histórico de riscos relacionados a adquirentes. Em novembro de 2025, o BC introduziu regulamentações que tornaram as bandeiras de cartões responsáveis diretas pelo repasse de valores a comerciantes, mesmo diante de falhas operacionais em outros setores do sistema. Essa norma, reflectida na Resolução BCB nº 522, poderá impor um ônus considerável à Mastercard e Visa, que agora se vêem no papel de cobrir prejuízos decorrentes dessa liquidação.

A magnitude do impacto financeiro ainda é incerta, e os analistas do setor estão tentado calcular as repercussões dessa ação. O caso da liquidação do Will Bank, ocorrido em janeiro deste ano, serve como um alerta. Na ocasião, a Mastercard enfrentou um prejuízo estimado em mais de R$ 5 bilhões, e muitos temem que a situação com a Entrepay possa ser igualmente danosa.

Em resposta às preocupações do mercado, o Nubank afirmou que encerrará suas operações com a fintech de acordo com arranjos regulamentados, minimizando potenciais consequências para sua operação. As bandeiras, por sua vez, deixaram claro que questões relacionadas a prejuízos financeiros devem ser discutidas coletivamente, por meio da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Embora a Abecs não tenha divulgado estimativas sobre o impacto, assegurou que está monitorando a situação e mantendo diálogo com os órgãos reguladores.

No entanto, a liquidação da Entrepay era algo que o mercado já antecipava. Desde janeiro, surgiram rumores sobre a situação da empresa, que acumulava atrasos significativos nos repasses a lojistas, somando cerca de R$ 2,5 bilhões em valores retidos. A sequência de queixas de comerciantes, evidenciada por reclamações na plataforma Reclame Aqui, evidenciava um cenário preocupante.

Além disso, investigações em curso, lideradas pela Polícia Federal, apontam para possíveis fraudes envolvendo a administração da fintech, levantando questões adicionais sobre a governança da empresa. O próprio controlador do grupo, Antônio Carlos Freixo Junior, já era alvo de investigações antes da liquidação.

Embora o Banco Central tenha tentado minimizar o pânico ao afirmar que a Entrepay era uma instituição de pequeno porte, o mercado permanece nervoso. A fintech representava apenas uma fração ínfima do total de ativos do Sistema Financeiro Nacional, mas a preocupação gira em torno de como as perdas decorrentes de transações não liquidadas afetarão as bandeiras. Até que esses números sejam fechados, a incerteza reinará no setor de pagamentos eletrônicos.

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