Em suas declarações, Fahmy ressaltou que o Hamas, grupo que controla Gaza, demonstrou uma vontade de dialogar ao aceitar condições específicas para o desarmamento, a retirada das forças israelenses da região, o envio de uma força internacional de estabilização, além da transferência da gestão administrativa para um novo órgão chamado Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG). Apesar dessa disposição do Hamas, Fahmy enfatizou que Israel tem se mostrado reticente em cumprir os compromissos assumidos nas negociações.
As palavras de Fahmy ganharam força com a condenação recente de oito países muçulmanos às ações de Israel, que, segundo eles, estariam obstaculizando os esforços de paz. O secretário-geral apelou para que os Estados Unidos exerçam pressão sobre Israel com o objetivo de garantir uma progressão rápida para a próxima fase do acordo, que está previsto para suceder a atual situação.
Recentemente, Netanyahu havia declarado em discurso que não consentiria com uma nova retirada de tropas da Faixa de Gaza a menos que o Hamas fosse desarmado na totalidade, descartando também a possibilidade de criação de um Estado palestino. Essa postura, de acordo com Fahmy, perpetua um cenário de conflito, caracterizado pela elevada taxa de violência e pela precária situação humanitária enfrentada por mais de dois milhões de palestinos que habitam a região.
Estes recentes desenvolvimentos acontecem em um contexto onde, em outubro de 2025, durante uma cúpula em Sharm el-Sheikh, foi firmado um acordo mediado por países como Egito, Catar, EUA e Turquia para pôr fim a um embate prolongado. O acordo previu um cessar-fogo, a troca de reféns por prisioneiros palestinos, e o aumento da assistência humanitária, bem como a retirada gradual das forças israelenses da região, mas que agora parece estar ameaçado pelas atuais tensões e desentendimentos.
