Líder do governo no Senado, Jaques Wagner, é investigado por ligação com fraudes financeiras do Banco Master após emenda que beneficiaria instituição.

A Polícia Federal (PF) tem intensificado suas investigações sobre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, em meio a alegações de irregularidades relacionadas à sua atuação legislativa. Recentemente, o senador teve seu nome associado a uma emenda controversa que promovia a ampliação da margem de empréstimos consignados. Segundo informações levantadas pela PF, essa medida poderia beneficiar diretamente o Banco Master, uma instituição que está no centro de um escândalo de fraudes financeiras.

Na última quinta-feira, a PF executou um mandato de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, mobilizando um aparato investigativo robusto para desvendar o envolvimento de Wagner com propostas que, segundo relatórios, acarretariam um aumento substancial nos juros sobre os empréstimos consignados. A emenda que ele defendeu propunha um teto para os juros, estipulando que não poderiam ultrapassar 300% da taxa média de juros dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI). Contudo, um aumento nos juros de 14% ao ano para 21% estaria no horizonte, o que levantou sérias suspeitas.

As investigações também revelaram que a emenda de Wagner foi apresentada em março de 2022, coincidentemente no mesmo período em que uma empresa ligada à sua nora, Bonnie Bonilha, começou a receber significativos aportes financeiros do Banco Master. Entre 2022 e 2025, essa empresa teria recebido R$ 11 milhões para captar negócios relacionados ao crédito consignado, um serviço fulcral que o banco oferece.

Embora a emenda tenha sido rejeitada na versão final da Medida Provisória discutida no Congresso em julho de 2022, a PF enfatizou o esforço do senador em buscar apoio entre colegas parlamentares para promover a proposta. Além disso, outras atividades questionáveis de Wagner foram citadas, incluindo pressões por parte do governo para facilitar a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília e apoio a uma emenda específica que poderia aumentar o limite de garantias para investimentos em CDBs.

Por fim, a PF não apenas apontou Wagner como um dos principais beneficiários de vantagens econômicas atribuídas ao Banco Master, mas também detalhou uma série de benefícios, incluindo um pagamento robusto relacionado à aquisição de um apartamento em Salvador e acesso a eventos de grande porte. Apesar de as acusações serem graves, Wagner tem se posicionado negando qualquer envolvimento com as fraudes que cercam o Banco Master, utilizando termos como “falcatruas” para descrever as artimanhas financeiras atribuídas à instituição. Essa situação já começa a ressoar fortemente no cenário político nacional, questionando a integridade do processo legislativo e a relação entre política e finanças.

Sair da versão mobile