Oetzi, que foi fatalmente atingido por uma flecha, permaneceu preservado durante milênios. Quando arqueólogos encontraram seus restos, estava a uma temperatura de aproximadamente -6 graus Celsius, condições ideais para manter a integridade não apenas do corpo, mas também de micro-organismos que ali habitavam. O estudo do microbioma intestinal revelou a presença de quatro tipos diferentes de levedura adaptadas a ambientes frios, as quais foram cultivadas com sucesso em condições refrigeradas.
Após meses de experimentos, a equipe conseguiu produzir uma massa fermentada a partir da levedura reativada, que também apresentou potencial para a fabricação de cerveja. Um dos achados mais notáveis é a capacidade dessa levedura de metabolizar fenol, substância química frequentemente encontrada em locais contaminados. Isso abre novas possibilidades de utilização em processos de biodegradação, contribuindo para a remoção de poluentes.
Além disso, o microbioma de Oetzi contém bactérias raras que são incomuns em populações contemporâneas. Este fato sugere que sua dieta era rica em fibras e grãos integrais, típicas de sociedades que não passaram pelo processo de industrialização.
Essas descobertas não só iluminam a vida cotidiana de um homem que viveu há milênios, mas também abrem novas fronteiras para a biotecnologia. Com a levedura antiga agora em cultivo, o uso ambiental e até comercial, em produtos como pães e cervejas artesanais, promete um retorno à natureza com a união do antigo e do moderno. Essa pesquisa desafia não apenas a nossa compreensão do passado, mas também nos inspira a explorar soluções sustentáveis para os problemas atuais.





