Crescimento da Letalidade Policial em 17 Estados: Uma Análise Crítica da Violência no Brasil
Um novo estudo revela que as mortes relacionadas à ação policial aumentaram em 17 estados brasileiros em 2025, com um total de 6.519 óbitos registrados. Este número representa um crescimento de 4,5% em comparação ao ano anterior, traduzindo-se em aproximadamente 18 mortes diárias devido à intervenção de agentes de segurança. A escalada da violência policial acende um alerta sobre as falhas no controle da violência e a eficácia das políticas de segurança pública em várias regiões do Brasil.
O relatório, que compila dados do Ministério da Justiça, demonstra que a problemática da letalidade policial abarca gestões de diversos partidos, revelando que este fenômeno não é exclusivo de uma ideologia política. O PSD é o partido com maior número de estados onde a letalidade aumentou, mas outros como PT, PL e União Brasil também governam áreas com taxas elevadas de mortes causadas por ações policiais. O estado da Bahia lidera em números absolutos, contabilizando 1.569 mortes, seguido de São Paulo e Rio de Janeiro, que apresentam 835 e 798, respectivamente.
As explicações para esse aumento variam. A gestão do Rio Grande do Norte, por exemplo, alega que o crescimento da violência está associado à migração de criminosos do Sudeste para o Nordeste, intensificando disputas territoriais. Além disso, mesmo com esforços como o programa de câmeras corporais, que está sendo implementado em cidades com mais de 100 mil habitantes, a resistência à adoção dessas tecnologias persiste.
Críticos apontam que a falta de vontade política por parte dos governantes e das secretarias de segurança é um fator crucial no aumento da letalidade. Rafael Rocha, um especialista do Instituto Sou da Paz, salienta que a cultura de aceitação do uso excessivo da força, juntamente com a inação do Ministério Público, contribui para um ambiente onde práticas violentas são frequentemente legitimadas.
No entanto, nem todos os estados seguem essa tendência de crescimento. Nove estados conseguiram reduzir seus índices de letalidade, com Tocantins se destacando ao registrar uma queda de 55%. A diretora do Sistema Único de Segurança Pública, Isabel Figueiredo, comenta que o aumento na letalidade pode refletir dinâmicas mais amplas da criminalidade, mas reconhece o esforço do governo federal para implementar ações que visam mitigar esse quadro alarmante, como a expansão das câmeras corporais e programas voltados para a qualificação do uso da força.
Diante desse cenário preocupante, surge uma questão fundamental: será que as autoridades estão verdadeiramente comprometidas com a redução da violência e a proteção dos cidadãos, ou os discursos sobre controle e segurança são apenas retóricas diante de uma realidade complexa e violenta?
