Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai, afirmou que o lançamento do Leqembi representa um marco na oferta de tratamentos inovadores para quem vive com essa condição. O uso do medicamento requer infusões intravenosas quinzenais, que devem ser realizadas exclusivamente em hospitais ou centros de saúde especializados, com sessões que duram aproximadamente uma hora. Essa modalidade de administração significa que o Leqembi não estará disponível para compra em farmácias de varejo.
De acordo com as diretrizes da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o preço do frasco de 5 mL pode alcançar até R$ 4.212,44, considerando a alíquota máxima de ICMS. Com a dose recomendada de 10 mg/kg a cada duas semanas, o custo do tratamento pode começar acima de R$ 8,5 mil mensais para pacientes pesando mais de 50 kg. Esse valor pode ser ainda maior quando consideramos os custos adicionais de acompanhamento e administração, comuns em tratamentos desta natureza.
O Leqembi é destinado a adultos com comprometimento cognitivo leve e demência leve associados ao Alzheimer. Para ter acesso ao tratamento, os pacientes devem apresentar placas da proteína amiloide no cérebro, confirmadas por exames, além de não portarem a mutação do gene APOE-e4, que aumenta as chances de efeitos colaterais graves.
Junto ao Kisunla (donanemabe), aprovado em abril deste ano, o Leqembi está entre os primeiros medicamentos a modificar a evolução do Alzheimer. Ambos os fármacos atuam ao se ligar às placas de proteína amiloide, facilitando sua eliminação.
Nos ensaios clínicos, o Leqembi demonstrou uma redução de 27% na perda cognitiva ao longo de 18 meses. Em contrapartida, o Kisunla apresentou resultados ainda mais expressivos, com uma redução de até 35% na progressão da doença, equivalente a um atraso de 4,4 meses no declínio cognitivo. Contudo, apesar dos avanços, os efeitos das medicações são considerados modestos e a adesão ao tratamento é dificultada pelos preços elevados e potenciais efeitos colaterais, como hemorragias cerebrais e reações adversas relacionadas à infusão.
Ambos os medicamentos necessitam de prescrição e administração por profissionais especializados, que devem acompanhar rigorosamente os pacientes para minimizar riscos. Enquanto o Kisunla está sendo comercializado por cerca de R$ 24 mil por mês, o custo anual do tratamento pode ultrapassar R$ 200 mil, tornando o acesso a essas terapias uma preocupação significativa no contexto da saúde pública.
