Lei Maria da Penha Completa 20 Anos em Meio a Crescente Violência Contra a Mulher e Feminicídios no Brasil

Vinte Anos da Lei Maria da Penha: Reflexões sobre os Avanços e Desafios no Combate à Violência de Gênero

Neste 7 de agosto de 2026, a Lei Maria da Penha completa duas décadas como uma das mais significativas conquistas na luta pelas garantias de direitos das mulheres no Brasil. Instituída em 2006, essa legislação surgiu como resposta ao sofrimento da mulher que lhe dá nome, Maria da Penha Maia Fernandes, que superou uma dolorosa trajetória marcada por tentativas de feminicídio por parte de seu ex-marido. Mesmo após a promulgação da lei, os números relacionados à violência contra mulheres no país continuam alarmantes.

Em 2025, foram contabilizados 1.568 casos de feminicídios, com um aumento de 4,7% em comparação ao ano anterior. Somente no primeiro trimestre de 2026, 399 mulheres foram brutalmente assassinadas, o que representa uma média de uma morte a cada cinco horas. Esses dados ressaltam a urgência das ações voltadas ao combate à violência de gênero e a necessidade de uma abordagem mais efetiva e integrada entre os diversos setores da sociedade.

Além dos crimes letais, os efeitos da violência se estendem também ao ambiente de trabalho. Um estudo recente revelou que o afastamento do trabalho em decorrência de agressões físicas passou de 2,6 dias em 2025 para 5,4 dias em 2026, refletindo um tempo considerável de impacto na vida profissional das vítimas.

A legislação, sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, redefine a compreensão da violência doméstica, incorporando não apenas a violência física, mas também formas de agressão psicológica, sexual, patrimonial e moral, incluindo manifestações do bullying digital, como perseguições e ameaças realizadas por meio da internet.

O histórico de Maria da Penha, que iniciou sua luta na década de 1980, culminou na criação da lei de proteção. Após anos de oscilações na justiça e até de uma condenação internacional pela negligência no tratamento da violência doméstica, o Brasil finalmente se viu compelido a agir. Sua história não é apenas um símbolo de resistência, mas também um chamado à ação permanente por parte de toda a sociedade.

As possibilidades de proteção às mulheres foram ampliadas, conferindo acesso a serviços especializados, como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) e a Central de Atendimento à Mulher. Contudo, mesmo com todos esses avanços, a luta precisa continuar. A efetividade da Lei Maria da Penha depende não apenas da sua existência legal, mas da conscientização e da mobilização coletiva em prol dos direitos femininos.

A data que marca a promulgação da lei não deve ser apenas uma celebração, mas um momento de reflexão crítica sobre os desafios que ainda permanecem no combate à violência de gênero no Brasil. É fundamental que o Estado, juntamente com a sociedade civil, se comprometam com ações efetivas que possam não apenas garantir a proteção das mulheres, mas também transformar a cultura de violência em uma de respeito e dignidade.

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