Lealdade Cautelosa: Tarcísio de Freitas Evita Riscos de Doria e Busca Equilíbrio entre Apoyo a Bolsonaro e Candidatura à Reeleição

Auxiliares próximos ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do partido Republicanos, têm levantado comparações significativas entre sua trajetória política e a de João Doria, ex-governador do estado e ex-integrante do PSDB. Desde sua ascensão ao cargo, Tarcísio tem sido visto como um potencial candidato à presidência, à semelhança da trajetória inicial de Doria, que, após ser eleito com o respaldo da popularidade de Jair Bolsonaro, se distanciou do clã bolsonarista ao tentar posicionar-se como figura independente na política nacional.

A experiência de Doria serve como um alerta para Tarcísio. Durante seu governo, Doria se afastou da base de apoio bolsonarista, perdendo não apenas a confiança dos eleitores que apoiavam Bolsonaro, mas também enfrentando a aversão da esquerda, o que resultou em um grave esvaziamento de seu capital político. No final, sua tentativa de candidatura presidencial não foi bem-sucedida, culminando na derrota de seu sucessor, Rodrigo Garcia, para Tarcísio, que era o candidato respaldado por Bolsonaro em São Paulo. Isso selou o fim da hegemonia tucana no estado.

Diante dessa análise, aliados de Tarcísio enfatizam que ele deve ter cuidado para não repetir os erros de Doria. O governador tem constantemente reafirmado sua lealdade a Bolsonaro, e, embora de forma sutil, tem demonstrado apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência. Tarcísio enfrenta um desafio particular: ele é criticado tanto pela esquerda quanto por bolsonaristas que acreditam que sua postura em relação a Flávio Bolsonaro é insuficiente, além de pressões de aliados do Centrão que o veem como um possível candidato.

Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, também traçou paralelos entre seu pai e Tarcísio, afirmando que este último não pode se desviar do apoio a Flávio se quiser evitar um destino semelhante ao de Doria. Para Eduardo, o legítimo crescimento político de Tarcísio, que passou de servidor público a governador, deve estar atrelado ao fortalecimento de sua aliança com o legado de Bolsonaro.

Entretanto, Tarcísio não se apresenta como um candidato espontâneo à presidência a curto prazo. Nos bastidores, sua equipe tem evitado se comprometer em eventos de grande relevância nacional e eleitoral. Recentemente, cancelou uma visita ao ex-presidente por motivos pessoais, embora, segundo aliados, o verdadeiro motivo tenha sido o desconforto gerado por declarações de Flávio, que poderiam sugerir uma sucessão de interesses políticos divergentes.

O governador parece ciente de que sua estratégia deve ser bem planejada. Em meio a especulações sobre suas reais intenções e a busca por reconhecimento na cena política nacional, ele reafirmou sua candidatura à reeleição em São Paulo, enquanto promete se manter leal ao ex-presidente e à causa da direita no Brasil. O cenário político, permeado por rivalidades e expectativas, continuará a exigir astúcia e discernimento de Tarcísio nas suas decisões futuras.

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