Cibelle de Paula, professora e uma das organizadoras do bloco, destacou a importância do 13 de maio como um dia de reflexão e denúncia. “Hoje é uma data politicamente emblemática para a população preta. É um momento de reivindicação e de relembrar que a abolição foi uma falsa promessa”, afirmou Cibelle, que tem se dedicado a levar adiante essa narrativa por meio de um manifesto que é escrito todos os anos para o cortejo.
O bairro do Bixiga, conhecido por suas cantinas italianas, possui um passado que remete também à presença de comunidades afro-brasileiras, como o Quilombo Saracura. Durante o evento, Cibelle enfatizou que é essencial não apenas celebrar as raízes africanas, mas também destacar a luta contínua por direitos e reconhecimento, lembrando que o dia seguinte à promulgação da Lei Áurea foi marcado pelo abandono e desamparo da população negra no Brasil, que sequer teve seu direito à cidadania garantido.
A Lavagem do Bixiga também adquire um caráter formativo, especialmente para crianças e jovens da comunidade, funcionando como um espaço de aprendizado e afirmação da identidade negra. A publicitária Adrieli Santos, que participou do evento, destacou como a presença de um bloco composto majoritariamente por mulheres negras oferece uma “força muito grande”, simbolizando um ato de resistência em um contexto que, muitas vezes, marginaliza as vozes femininas.
A organização Ilú Obá de Min, fundada em 2004, toma seu nome do iorubá e significa “mãos femininas que tocam para o rei Xangô”. Com o crescimento ao longo dos anos, o bloco agora conta com cerca de 400 integrantes, incluindo uma bateria vibrante e um corpo de dança.
É importante ressaltar que, para o Ilú, o Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, é considerado uma verdadeira celebração, enquanto o 13 de maio permanece como um dia de reflexão sobre as lutas históricas e contemporâneas da população negra no Brasil.
