Veronesi, em entrevista, expressou uma expectativa cautelosa quanto à recepção de seu trabalho atemporal. “Espero que as pessoas não se sintam desiludidas com esse meu texto velho”, declarou o autor, que sempre teve uma relação íntima com sua produção literária. Para marcar este lançamento em Brasília, ele também está programado para participar de um debate na Feira do Livro, que ocorrerá na Praça Charles Miller, no sábado (30), às 16h15, antes de um encontro com leitores na Livraria da Vila, na Avenida Paulista, no domingo (31) às 15h.
“Caos Calmo” teve sua narrativa adaptada para o cinema por Nanni Moretti, que interpretou o protagonista Pietro Paladini. A história retrata a vida de um executivo que passa por uma dolorosa transformação após a perda abrupta de sua parceira, um evento que acontece em meio a uma tentativa de salvar uma mulher do afogamento. Através de sua complexidade emocional, o romance abordará temas como luto, desejo e o conceito de deslocamento.
Desde o lançamento de “Caos Calmo”, Veronesi lançou outras obras, incluindo “O Colibri”, de 2019, livro este que se tornou um favorito entre os leitores brasileiros e lhe rendeu um segundo Prêmio Strega em 2020. Essa nova obra também ganhou uma adaptação cinematográfica, liderada por Francesca Archibugi e estrelada por Pierfrancesco Favino.
O autor destacou que, ao longo de sua carreira, experimentou com diferentes estruturas narrativas e estilos. Ele se considera em constante evolução, tanto como escritor quanto na forma como articula seus textos. “Apesar de não ter relido ‘Caos Calmo’, não acredito que este livro esteja tão distante daquilo que sou hoje”, afirmou, ressaltando que a adaptação de suas narrativas reflete não apenas uma mudança pessoal, mas uma busca por formatos variados que desafiem a experiência do leitor.
Durante a conversa sobre a cena literária moderna, Veronesi defendeu a liberdade criativa dos autores, afirmando que eles devem sentir-se à vontade para escrever sobre qualquer tema que desejem, sem se limitar às expectativas do público ou às convenções sociais. “Os escritores devem ter a liberdade de driblar as convenções”, declarou, abordando a questão da identidade e da experiência individual em uma era onde as imposições sociais têm gerado debates acalorados.
Refletindo sobre a ascensão de movimentos políticos extremistas em várias partes do mundo, Veronesi criticou a cagação de regras que cerceiam a liberdade dos criadores. Para ele, essa pressão é parte de um fenômeno cultural que, por vezes, distorce a verdadeira essência da liberdade de expressão na arte. “Se em um momento acreditávamos que os EUA eram defensores da democracia, hoje isso está em questão”, concluiu.
Seja por meio de suas criações literárias ou suas opiniões sobre o estado atual da sociedade, Sandro Veronesi se estabelece como uma voz vibrante e crítica, navegando entre caos e calma com uma sensibilidade extraordinária.





