O ambiente estava repleto de militantes históricos, intelectuais e líderes políticos de várias gerações, todos unidos pelo objetivo comum de homenagear uma das figuras mais influentes da luta social e educacional do estado. O evento evidenciou a importância do resgate das histórias que moldaram o futuro, aproveitando a presença de pessoas que testemunharam e participaram de diferentes momentos históricos do Brasil, desde o golpe militar de 1964 até a redemocratização.
Maria Alba iniciou sua trajetória nas comunidades católicas e, com o tempo, tornou-se uma importante referência no movimento sindical e na luta pela educação pública em Alagoas. Com mais de seis décadas de militância, sua vida é marcada por uma combinação singular de firmeza ideológica e sensibilidade humana. “Ela tinha a capacidade de ser firme nos princípios e flexível na tática,” disse uma participante, ressaltando a habilidade de Alba em articular as demandas dos trabalhadores enquanto preservava sua essência.
A biografia, resultado de um projeto iniciado nos anos 2000, nasceu da necessidade de dar voz a mulheres historicamente marginalizadas em narrativas oficiais. Sua autora expressou que contar a história de figuras como Alba é uma obrigação diante de um contexto repleto de desinformação. O trabalho se propõe a resgatar e valorizar trajetórias que merecem reconhecimento, aproximando a história do público em geral e ultrapassando o caráter acadêmico.
Alba Correia é amplamente reconhecida como uma das fundadoras do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas, um espaço essencial para a defesa dos direitos dos educadores. Sua atuação foi fundamental na transformação do sindicato em um organismo de luta classista e combativa. Além disso, sua influência se estendeu ao campo acadêmico, moldando gerações de educadores e contribuindo significativamente para a defesa de uma educação pública de qualidade.
Um dos pontos altos da cerimônia foi o reconhecimento do protagonismo feminino na luta por direitos sociais e políticos. Relatos emocionados de companheiras de militância destacaram a relevância de Alba como um símbolo de resistência em um ambiente frequentemente dominado pelo machismo. Uma das participantes lembrou que “além de construir uma história política, ela ajudou a moldar mulheres que continuam a lutar por seus direitos”.
A homenageada, aos 88 anos, refletiu sobre sua trajetória e a importância de transmitir suas experiências às novas gerações. “Não é só a minha história. É a história de todos nós,” disse, enfatizando a ideia de que a memória coletiva é uma ferramenta vital para a transformação social.
O evento, repleto de aplausos e reencontros, deixou clara a mensagem de que a memória é mais do que um resgate do passado; é uma força propulsora para a construção de um futuro mais justo e consciente. O lançamento da biografia de Alba Corrêa reafirma o poder das lutas sociais na formação de um Brasil mais democrático e igualitário, celebrando não apenas uma trajetória pessoal, mas todo um legado coletivo de resistência e transformação.






