JUSTIÇA – TSE Desmente Flávio Bolsonaro: Smartmatic Nunca Forneceu Urnas Eletrônicas para Eleições no Brasil e Reitera Segurança do Processo Eleitoral

Na última terça-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou de forma categórica que a empresa venezuelana Smartmatic não está, e nunca esteve, envolvida no fornecimento de urnas eletrônicas ou softwares utilizados nas eleições brasileiras. A declaração surge em meio a uma onda de desinformação liderada por figuras políticas, como o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), que, em um evento realizado no dia anterior, fez afirmações sem respaldo sobre a origem dos equipamentos eleitorais brasileiros.

Durante seu discurso, Flávio Bolsonaro alegou que boa parte das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil teria origem na Smartmatic, sem apresentar evidências concretas para sustentar tal afirmação. Essa informação enganosa não é nova; rumores semelhantes circulam desde 2017, levando o TSE a emitir um comunicado formal em 2020, rebatendo as teorias e reforçando que as urnas eletrônicas são desenvolvidas exclusivamente por técnicos e servidores a serviço da Justiça Eleitoral, em um processo de fabricação que ocorre sob rígidas licitações públicas.

Além disso, o TSE esclareceu que a Smartmatic teve apenas uma breve relação com o tribunal, sendo contratada exclusivamente para serviços de conexão de dados e voz, e não para a fabricação ou operação das urnas eletrônicas. Em um contexto mais amplo, a empresa venezuelana participou da licitação para a fabricação de novos equipamentos eleitorais para 2020, mas perdeu para a empresa Positivo.

As declarações do senador foram feitas em um ambiente diplomático durante um evento chamado “Debating Brazil”, promovido por veículos de comunicação. Ele se referiu a um documento da CIA que analisa alegações de fraudes em eleições na Venezuela, sem, contudo, concluir que havia irregularidades nas urnas utilizadas entre 2004 e 2020. Apesar de Flávio Bolsonaro tentar criar uma conexão entre as alegações de fraudes na Venezuela e as urnas brasileiras, essas tentativas já foram amplamente desmentidas.

Essa retórica acerca da Smartmatic, considerada uma estratégia recorrente por seus associados, gerou fortes reações entre os adversários políticos, que denunciam a continuidade de um discurso de desconfiança em relação ao sistema eleitoral do Brasil, ecoando o que seu pai, Jair Bolsonaro, fez anteriormente. Respaldando-se em seu discurso, a equipe de Flávio Bolsonaro afirma que ele não questionou a integridade do sistema, ressaltando que sua tentativa de vincular a empresa às urnas ocorre dentro do contexto de uma discussão mais ampla e pública.

Por fim, na tentativa de mitigar as críticas, o pré-candidato destacou seu apoio à observação internacional no processo eleitoral, reiterando a necessidade de transparência e confiança nas eleições brasileiras, embora seu discurso tenha se afastado de esclarecer as informações falaciosas que têm circulado.

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