Entre os denunciados estão a primeira-dama Eva Maria Cutrim Dantas, a vice-prefeita Tânya Karla e a ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima. O governador Maranhão, Carlos Brandão, terá um prazo de 15 dias para nomear um interventor, que terá como objetivo específico gerenciar a administração municipal, uma vez que a Câmara Municipal manterá suas funções legislativas durante esse período.
A intervenção se torna ainda mais relevante considerando que os investigados foram presos em dezembro durante a Operação Tântalo II, que já havia revelado um esquema extenso de fraude e desvio de recursos públicos. Paulo Curió e Tânya Karla foram afastados de seus cargos, e a administração do município foi temporariamente confiada ao presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo Diniz, que também é alvo de investigações e cumpre prisão domiciliar.
O Ministério Público (MP) detalhou que o esquema funcionava por meio da “venda” de notas fiscais emitidas por empresas que venciam licitações fraudulentas, com um impacto financeiro significativo nos cofres da prefeitura. Estima-se que o prefeito e pessoas próximas a ele recebiam entre 82% e 90% dos valores pagos pela administração pública, enquanto os empresários que forneceram as notas ficavam com o restante.
Além disso, o MP investigou a compra superfaturada de combustíveis para a frota municipal, revelando que a prefeitura pagou por quantidades de gasolina e óleo diesel que superariam em muito as necessidades reais dos veículos, indicando um planejamento fraudulento que visava enriquecer os envolvidos. A análise indicou que o volume de combustível adquirido seria suficiente para que a frota percorresse uma distância anormal de 1.207.234 km por ano, uma média que equivaleria a viagens diárias de aproximadamente 791 km.
O pedido de intervenção judicial foi justificado pela situação caótica da gestão municipal e pela ineficácia de medidas anteriores adotadas pelo Judiciário, como prisões e afastamentos. O MP frisou a gravidade da situação, ressaltando que a operação resultou em apreensões de mais de R$ 2 milhões em espécie na casa de um dos investigados, evidenciando a persistência do crime organizado e o desprezo dos envolvidos pelo sistema judicial e pela população de Turilândia.
