Em 2022, o mínimo existencial foi fixado em R$ 303, correspondente a 25% do salário mínimo vigente na época, por um decreto do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revisou esse valor, elevando-o para R$ 600, que atualmente permanece em vigor. Contudo, as Associações Nacionais de Membros do Ministério Público e dos Defensores Públicos questionaram esse montante, argumentando que ele é insuficiente para garantir condições adequadas de dignidade aos consumidores.
Até agora, a maioria dos ministros do STF manifesta-se favorável a que o Conselho Monetário Nacional (CMN) faça estudos para a atualização anual do mínimo existencial. Porém, os ministros optaram por adiar a conclusão do julgamento até que o ministro Nunes Marques possa participar, uma vez que ele não estava presente na sessão. A nova data para o retorno do julgamento ainda não foi estabelecida.
Este debate teve início em dezembro do ano passado, mas foi interrompido em função de um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. Ele ressaltou durante a sessão que o superendividamento entre as famílias aumentou, em grande parte, devido à regulamentação de jogos eletrônicos, conhecidos como bets. Dados alarmantes foram apresentados, como o crescimento do endividamento, que alcançou quase 78% das famílias, sendo que muitas delas não conseguem honrar seus compromissos financeiros.
Outros ministros, como Luiz Fux, também chamaram atenção para o impacto das bets no endividamento da população, destacando a necessidade urgente de uma solução. O relator do caso, André Mendonça, mencionou que, embora o valor do mínimo existencial poderia ser mais elevado, tal aumento poderia restringir o acesso ao crédito para uma parcela significativa da população, uma vez que cerca de 32 milhões de cidadãos poderiam ser excluídos do mercado de crédito.
Flávio Dino, durante a discussão, enfatizou a importância de um consumo consciente e saudável, defendendo que o acesso ao crédito é um direito fundamental para garantir a dignidade humana. Ele argumentou que a busca desenfreada por consumo, muitas vezes guiada por manipulações, resulta em desastres e crises familiares, ressaltando a necessidade de equilíbrio entre o consumo e a dignidade da pessoa.
