JUSTIÇA – Supremo Suspende ‘Penduricalhos’ e Determina Revisão de Benefícios Irregulares para Servidores em Todo o País

Na última quinta-feira, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão significativa ao suspender o pagamento de benefícios conhecidos como “penduricalhos”, que são acréscimos salariais concedidos a servidores públicos e que desafiam o teto remuneratório estabelecido pela Constituição, que é de R$ 46,3 mil. Essa medida abrange os três poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário, e determina que, em um prazo de 60 dias, todas as esferas governamentais fiquem atentas para revisar e suspender verbas indenizatórias sem justificativa legal.

Na fundamentação de sua decisão, Dino apontou para uma preocupante “multiplicação anômala” de verbas indenizatórias que se mostram incompatíveis com os princípios constitucionais. Exceções absurdas foram citadas, como o pagamento de “auxílio-peru” e “auxílio-panettone”, que simbolizam uma cultura de benefícios extraoficiais que não têm base jurídica sólida.

O ministro expressou que esse amplo leque de “indenizações” resulta em salários excessivos, algo sem precedentes não apenas na legislação brasileira, mas também quando comparado a práticas de países desenvolvidos. Essa situação, segundo seu entendimento, questiona a própria integridade do serviço público e a necessidade de haver maior clareza nas regras que regem os benefícios aos servidores.

Na busca por um padrão mais justo, Flávio Dino sugeriu que o Congresso Nacional trabalhe em um projeto de lei que defina claramente quais verbas indenizatórias são admissíveis como exceções ao teto constitucional, com o intuito de coibir o “império dos penduricalhos”. Ele ressaltou que, ao tomar esse caminho, seria possível não apenas garantir uma remuneração justa, mas também promover a valorização dos servidores, além de aumentar a eficiência e a dignidade no serviço público.

A suspensão dos penduricalhos foi decidida em um processo específico em que o ministro negou o pedido de um juiz de Minas Gerais que solicitava auxílio-alimentação retroativo. Essa decisão representa um passo firme em direção à transparência e integridade na gestão de recursos públicos, sinalizando um novo patamar para a remuneração do funcionalismo e a saúde das contas públicas.

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